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Dom Anuar Batisti
Formado em filosofia no Paraná e em teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, Dom Anuar Battisti é Arcebispo Emérito de Maringá (PR). Em 15 de abril de 1998, por escolha do papa João Paulo II, foi nomeado bispo diocesano de Toledo, sendo empossado no mesmo dia da ordenação episcopal, em 20 de junho daquele ano. Em 2009 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, um dos mais importantes, concedidos pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Em 2007, foi presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Sagrada, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2015, foi membro do Conselho Administrativo da Pastoral da Criança Internacional e, ainda na CNBB, foi delegado suplente. No Conselho Episcopal Latino-Americano atuou como Presidente do Departamento das Vocações e Ministérios, até 2019.

Jubileu dos Jovens 2025 e o testemunho inesquecível da Jornada Mundial da Juventude 2013: juventude, fé e missão



 Neste mês em que a juventude católica do mundo inteiro se mobiliza para viver o Jubileu dos Jovens 2025, não posso deixar de recordar com alegria e gratidão a Jornada Mundial da Juventude de 2013, que marcou profundamente a história recente da Igreja no Brasil e continua produzindo frutos de esperança, vocações e testemunho cristão em nossas comunidades.

A Jornada Mundial da Juventude é mais que um evento. É uma verdadeira escola de discipulado e missão, onde jovens de diferentes culturas se unem pela mesma fé, partilham sonhos, rezam juntos e renovam sua entrega a Jesus Cristo e à Igreja. A cada edição, o Espírito Santo sopra sobre a juventude católica, renovando rostos, corações e estruturas.

Em 2013, tivemos a graça de receber no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, a JMJ que ficou marcada como um divisor de águas na evangelização da juventude. Foi também a primeira viagem internacional do Papa Francisco, poucos meses após sua eleição. E que impacto ele causou! Com sua simplicidade, ternura e firmeza no anúncio do Evangelho, Francisco conquistou os corações dos jovens, exortando-os: “Ide, sem medo, para servir!”.

Como arcebispo de Maringá à época, tive a alegria de participar intensamente da preparação e da celebração da JMJ. Mais do que acompanhar, pude testemunhar e me deixar envolver pela energia transformadora dos jovens. Um dos momentos que se tornou inesquecível — e que até hoje me rende sorrisos e recordações — foi o famoso flashmob, preparado para acolher o Papa. Sim, participei da coreografia com entusiasmo, movido pelo desejo de estar junto da juventude em sua linguagem, em seu ritmo, em sua expressão. E foi justamente isso que tocou a tantos: quando os pastores dançam com as ovelhas, a alegria é ainda maior e a comunhão se fortalece.

A dança, mais do que performance, foi um gesto profético. Mostrou que o Evangelho pode — e deve — ser vivido com leveza e beleza. Mostrou que os nossos jovens não precisam de discursos distantes, mas de exemplos vivos. Quando líderes da Igreja, padres, religiosos e bispos se unem aos jovens em suas linguagens — como danças, mutirões, peregrinações, projetos sociais — o anúncio do Reino ganha força.

Esse foi o grande ensinamento da JMJ Rio 2013: evangelizar é caminhar juntos, escutar, propor, rezar e sorrir. É mostrar que a fé não é peso, mas caminho de liberdade.

Agora, doze anos depois, o Jubileu dos Jovens acontece, desta vez fora do Brasil, mas não fora do nosso coração. Mesmo não podendo sediar o evento, as dioceses e paróquias brasileiras são chamadas a participar com empenho, criando atividades locais, vigílias, transmissões ao vivo, momentos de oração e partilha. É essencial que a juventude se sinta conectada a esse grande movimento universal da fé.

Convido especialmente os párocos, religiosos, seminaristas e bispos a encorajarem essa participação. Que não nos limitemos ao virtual, mas criemos espaços de encontro real, de missão, de escuta. Que os jovens sintam que este Jubileu é também deles, aqui, onde estão.

Lembro com carinho dos frutos vocacionais da JMJ 2013. Muitos jovens iniciaram seus processos de discernimento vocacional após aquele encontro. Algumas vocações ao sacerdócio, à vida consagrada e ao matrimônio nasceram ali. A Jornada é terreno fértil para o chamado de Deus florescer.

Que o Jubileu dos Jovens 2025, neste contexto de preparação para o Jubileu da Esperança em 2025, seja também uma oportunidade para a juventude brasileira se reanimar. E que, inspirados por Francisco e pelo Espírito Santo, possamos “levantar-nos com pressa” como Maria, para anunciar com coragem a Boa Nova.

Aos jovens de hoje, repito com alegria: vocês são protagonistas da missão! A Igreja conta com vocês. Que o Jubileu dos Jovens seja ocasião de renovar o ardor, fortalecer a fé e acender novos sonhos. E que nós, pastores e formadores, tenhamos a coragem de seguir dançando com vocês — não apenas nos gestos, mas na alegria da entrega e do amor que transforma.

+Anuar Battisti Arcebispo Emérito de Maringá (PR) 

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