Se no domingo passado fomos convidados a olhar para o interior das nossas comunidades e examinar se a nossa fé é um encontro vivo com Cristo ou apenas uma estrutura burocrática, o Evangelho deste XXII Domingo do Tempo Comum conduz a nossa reflexão eclesial a um nível ainda mais exigente e incisivo. Logo após Simão Pedro professar a fé e ser constituído rocha da Igreja, Jesus começa a revelar o caminho que o espera: ir a Jerusalém, sofrer muito, ser morto e ressuscitar. É exatamente nesse ponto que a comunidade dos discípulos entra em crise. Pedro toma Jesus à parte e o repreende: "Deus não permita tal coisa, Senhor! Isso nunca te há de acontecer!" A reação de Pedro não é apenas uma fraqueza individual, é a tentação de toda a Igreja ao longo da história, a tentação de querer uma comunidade cristã sem a Cruz, uma pastoral de sucessos sem sacrifício, um cristianismo de conforto, aplausos e estruturas gloriosas, mas sem o custo do dom da própria vida. A resposta de Jesus a Pedro ...