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Mostrando postagens de outubro, 2025

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Dom Anuar Batisti
Formado em filosofia no Paraná e em teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, Dom Anuar Battisti é Arcebispo Emérito de Maringá (PR). Em 15 de abril de 1998, por escolha do papa João Paulo II, foi nomeado bispo diocesano de Toledo, sendo empossado no mesmo dia da ordenação episcopal, em 20 de junho daquele ano. Em 2009 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, um dos mais importantes, concedidos pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Em 2007, foi presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Sagrada, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2015, foi membro do Conselho Administrativo da Pastoral da Criança Internacional e, ainda na CNBB, foi delegado suplente. No Conselho Episcopal Latino-Americano atuou como Presidente do Departamento das Vocações e Ministérios, até 2019.

Homilia – 30º Domingo do Tempo Comum – Ano C

  A Humildade diante de Deus!   Homilia – 30º Domingo do Tempo Comum – Ano C Queridos irmãos e irmãs em Cristo, Neste 30º Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos convida a refletir sobre um dos temas mais profundos da vida espiritual: a humildade diante de Deus. A oração autêntica nasce de um coração humilde, consciente de suas limitações e necessitado da misericórdia divina. Na primeira leitura, do livro do Eclesiástico – Eclo 35,15b-17.20-22a –, o autor sagrado nos recorda que Deus escuta a oração do pobre, do órfão e da viúva. Ele é o justo juiz que não se deixa corromper pelos poderosos nem se deixa enganar pelas aparências. As lágrimas dos oprimidos sobem até o céu e atravessam as nuvens, pois o Senhor se coloca ao lado dos que sofrem. É um texto profundamente atual, que fala de um Deus que não é indiferente à dor dos inocentes, das vítimas da injustiça e da violência. O Salmo 33 retoma esse mesmo espírito, proclamando: “O Senhor escuta o clamor dos justos.” A...

Sejamos justos acolhendo aos pobres!

  A liturgia do trigésimo domingo comum propõe-nos uma reflexão sobre a forma como Deus exerce a Sua justiça. A justiça de Deus não ignora o sofrimento dos pobres, dos mais fracos, daqueles que nem sempre obtém justiça nos tribunais dos homens. A justiça de Deus concretiza-se essencialmente como amor e misericórdia. Todos os que estiverem disponíveis para acolher o amor misericordioso de Deus, encontrarão graça e salvação. Na primeira leitura – Eclo 35,15-17.20-22 – um sábio judeu do séc. II a.C. lembra aos seus concidadãos – impressionados pela arrogância dos conquistadores gregos e pelo brilho da cultura helênica – que Deus não faz acepção de pessoas: Ele escuta as súplicas dos desprezados e faz justiça às vítimas dos poderosos. Talvez as vozes dos humildes não signifiquem nada para os grandes do mundo; mas elas atravessam as nuvens e vão diretas ao coração de Deus. O texto mostra a preferência de Deus pelos mais fragilizados: pobres, órfãos e viúvas. Deus é imparci...

A Igreja e os Pobres: Uma Missão de Dois Mil Anos

          A nova Exortação Apostólica do Papa Leão XIV, Dilexi te , nos oferece uma importante oportunidade para recordar a longa e rica história de caridade da nossa Igreja. O Santo Padre não apresenta uma novidade, mas nos insere numa corrente de amor e serviço que atravessa vinte séculos, mostrando que o cuidado com os pobres sempre foi uma parte essencial da missão que Cristo nos confiou. Desde os seus primórdios, a comunidade cristã entendeu que a fé em Jesus deveria se manifestar no cuidado com os mais vulneráveis. O Papa nos lembra do testemunho dos primeiros diáconos, como Santo Estêvão, instituídos para servir às mesas e garantir que ninguém passasse necessidade. Recorda também a figura de São Lourenço, que, ao ser intimado a entregar as riquezas da Igreja, apresentou os pobres, afirmando que eles eram o seu verdadeiro tesouro. Esta convicção marcou a vida da Igreja desde o início. Ao longo da história, esta missão assumiu muitas formas. O Papa...

A Fé que se Traduz em Obras: Reflexões sobre Dilexi te

  Recebemos com atenção a nova Exortação Apostólica de Sua Santidade, o Papa Leão XIV, intitulada Dilexi te (“Eu te amei”). Trata-se de um documento que nos convida a voltar ao centro de nossa fé, recordando a todos os batizados a ligação inseparável que existe entre o amor a Deus e o amor ao próximo, especialmente aos mais pobres e necessitados. O Santo Padre, com palavras claras, nos mostra que a caridade não é um apêndice ou uma atividade opcional para o cristão, mas a própria manifestação de uma fé verdadeira. O Papa Leão XIV fundamenta sua reflexão na Palavra de Deus, lembrando que o próprio Jesus se identificou com os mais pequeninos. A passagem do Evangelho de São Mateus sobre o Juízo Final é o ponto central de todo o documento: “tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40). Esta não é uma bela metáfora, mas uma verdade profunda: encontrar o pobre é encontrar o próprio Cristo. O Papa nos recorda que Jesus viveu uma vida ...

O amor que cuida!

  Celebrar o Dia da Filantropia é reconhecer, com gratidão e esperança, a presença silenciosa e transformadora do amor cristão que se traduz em serviço ao próximo. A palavra “filantropia”, que significa amor à humanidade, encontra no Evangelho o seu sentido mais pleno: “Tudo o que fizerdes a um destes meus irmãos mais pequeninos, é a mim que o fazeis” (Mt 25,40). É neste espírito que se realiza a missão de tantas instituições que, movidas pela fé e pela caridade, dedicam sua existência a cuidar da vida, promover a dignidade e aliviar o sofrimento humano. Entre essas obras de amor, destaco o testemunho do Instituto de Cooperação para o Desenvolvimento da Saúde (ICDS), que exerce com fidelidade o compromisso cristão da filantropia ao unir gestão eficiente, transparência e compaixão. O ICDS não busca o lucro, mas o bem; não acumula riquezas, mas reparte cuidado. Sua atuação é uma expressão concreta do Evangelho vivido no cotidiano das políticas públicas de saúde, pois ca...

29º Domingo do Tempo Comum – Ano C

(Ex 17,8-13; Sl 120; 2Tm 3,14–4,2; Lc 18,1-8) O Evangelho deste 29º Domingo do Tempo Comum (Lc 18,1-8) começa com uma exortação direta de Jesus: “É preciso rezar sempre, sem jamais desistir.” Esta frase resume o coração da liturgia da Palavra deste domingo, que nos conduz à reflexão sobre a força da oração perseverante e a fé ativa que sustenta o discípulo diante dos desafios da vida. Jesus conta a parábola do juiz injusto e da viúva insistente, uma narrativa que revela o contraste entre a frieza humana e a misericórdia divina. O juiz, que “ não temia a Deus nem respeitava homem algum ” (Lc 18,2), representa a lógica do mundo — fria, indiferente, autorreferida. A viúva, por outro lado, é a imagem do fiel que não desiste, que mantém sua confiança no Senhor mesmo quando parece não ser ouvido. A atitude da viúva é símbolo da fé que luta e espera. Ela não se resigna ao silêncio, não se entrega à indiferença, mas continua batendo à porta da justiça. E Jesus conclui: “E Deus não fará ...

Devemos rezar com insistência para que Deus nos atenda!

  As leituras que a liturgia do Vigésimo Nono Domingo do Tempo Comum nos propõe recordam-nos a importância de manter com Deus uma relação estreita, uma comunhão íntima, um diálogo insistente, uma escuta atenta. O diálogo contínuo com Deus trará à nossa vida uma nova luz: permitir-nos-á compreender os silêncios de Deus, respeitar os tempos de Deus, entender o projeto de Deus e confiar sempre no amor de Deus. A primeira leitura (Ex 17,8-13) traz-nos um episódio da caminhada do povo de Deus pelo deserto: durante um confronto de Israel com os amalecitas, Moisés ficou em oração, no cimo de um monte, pedindo a Deus que salvasse o seu povo. Ao contar esta história, a catequese de Israel pretende sublinhar o poder da oração. As mãos erguidas de Moisés representam sua intercessão a Deus em favor do povo de Israel. É um modo de exprimir uma oração contínua e insistente. O crente só conseguirá enfrentar as duras batalhas que a vida lhe impõe se puder contar com a ajuda e a força de Deus; e ...

Dia de São Lucas e Dia dos Médicos – “Servir com ciência e compaixão”

  No dia 18 de outubro, a Igreja celebra com alegria a festa litúrgica de São Lucas Evangelista , e junto com ela recordamos o Dia dos Médicos . A coincidência dessas duas comemorações não é casual, pois Lucas, além de evangelista e companheiro de missão de São Paulo, era médico de profissão . A tradição cristã sempre o reconheceu como o patrono dos médicos e de todos os profissionais da saúde, pois soube unir a ciência e a fé , o conhecimento e a caridade , o cuidado do corpo e a salvação da alma . Lucas, com sua sensibilidade humana e espiritual, transmitiu no Evangelho o rosto misericordioso de Cristo. Foi o evangelista que mais destacou o amor de Deus pelos pobres, pelos enfermos, pelos marginalizados e pelos pecadores. Seu texto é repleto de gestos de ternura: o bom samaritano que cuida do ferido, o pai que acolhe o filho pródigo, Jesus que se aproxima dos leprosos, das mulheres e dos publicanos. Em cada página, encontramos um olhar compassivo — o mesmo olhar que deve inspir...

Nas Redes de Nossa Vida, a Mãe que Traz a Abundância

  Que alegria celebrar hoje a festa-solenidade da nossa Mãezinha, Nossa Senhora Aparecida! Cada um de nós traz no coração uma história, uma prece, um agradecimento a ela. Hoje é dia de pensar em Maria como a Mãe que entra no barco da nossa vida, muitas vezes quando estamos cansados e de redes vazias. O Evangelho que acabamos de ouvir, das Bodas de Caná – Jo 2,1-11 –, nos dá o retrato perfeito do coração de Maria. Havia uma festa, mas no meio da alegria, acontece um problema. O Evangelista nos conta que, “como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: ‘Eles não têm vinho’” (Jo 2,3). Acabar o vinho numa festa é acabar a alegria. Talvez ninguém tivesse notado ainda, mas Maria, com seu olhar de Mãe, percebeu. Quantas vezes, na nossa vida, também acaba o vinho? Acaba o vinho da paciência, da esperança, da força. E a gente, muitas vezes, nem sabe o que fazer. Mas Maria vê. Ela olha para o nosso coração e sabe exatamente qual “vinho” está faltando. Ela é a Mãe que nos...

Homilia – 27º Domingo do Tempo Comum – Ano C

Queridos irmãos e irmãs, Neste 27º Domingo do Tempo Comum, a Liturgia da Palavra nos coloca diante de um pedido que deve ser também o nosso: “Senhor, aumenta a nossa fé!” (Lc 17,5). Esse clamor dos apóstolos resume bem a experiência humana: diante das dificuldades da vida, da violência do mundo e até mesmo de nossas próprias limitações, percebemos como nossa fé é pequena. E, no entanto, é justamente esta fé — dom recebido de Deus — que nos sustenta, que nos dá vida, que nos permite caminhar no meio das trevas. A primeira leitura, tirada do profeta Habacuc, parece escrita para os nossos dias. Ele se volta para Deus em súplica: “Até quando, Senhor, clamarei, sem que me ouças? Gritarei a ti: ‘Violência!’, sem que me salves?” (Hab 1,2). Quantos de nós também levantamos essa pergunta diante das notícias de guerras, da violência nas cidades, da corrupção, do desprezo pelos pobres e indefesos! É a pergunta do justo que sofre. Mas a resposta de Deus é firme: “O justo viverá pela ...

Na nossa pequenez brilha a grandeza de Deus

Na Palavra de Deus que hoje nos é proposta, cruzam-se vários temas (a fé, a salvação, a radicalidade do “caminho do Reino”, etc.); mas sobressai a reflexão sobre a atitude correta que o homem deve assumir face a Deus. As leituras convidam-nos a reconhecer, com humildade, a nossa pequenez e finitude, a comprometer-nos com o “Reino” sem cálculos nem exigências, a acolher com gratidão os dons de Deus e a entregar-nos confiantes nas suas mãos. Na primeira leitura, o profeta Habacuc interpela Deus, convoca-o para intervir no mundo e para pôr fim à violência, à injustiça, ao pecado... Deus, em resposta, confirma a sua intenção de atuar no mundo, no sentido de destruir a morte e a opressão; mas dá a entender que só o fará quando for o momento oportuno, de acordo com o seu projeto; ao homem, resta confiar e esperar pacientemente o “tempo de Deus”. Deus responde ao povo que o justo “viverá por sua fé”. Essa expressão significa que o justo é quem se mantém fiel à Lei de Deus. A sal...

A Eucaristia e o Ventre Materno: Santuários da Presença Escondida

Amados irmãos e irmãs em Cristo, Nesta Semana Nacional da Vida, somos chamados a aprofundar as razões de nossa fé e de nossa esperança. Frequentemente, defendemos a vida nascente com argumentos da biologia, da filosofia ou do direito, e todos são importantes e válidos. Contudo, hoje, gostaria de convidá-los a contemplar este mistério através do coração da nossa fé católica: a Sagrada Eucaristia. Pergunto-me e pergunto a vocês: o que a nossa fé na Presença Real de Cristo no Sacrário pode nos ensinar sobre a presença real de uma vida humana no ventre materno? Tanto a Eucaristia quanto o nascituro nos desafiam a ver além das aparências. Diante do altar, nossos olhos veem pão e vinho, mas nossa fé nos proclama: "É o Senhor!". É a Presença Real, substancial e viva de Jesus Cristo, oculta sob os véus sacramentais. Para quem não crê, é apenas um símbolo, um pedaço de pão. É preciso os "olhos da fé" para adorar a Deus ali presente. De modo análogo, diante de u...

O Evangelho do Cuidado: Uma Resposta de Amor ao Nascituro

Mensagem de Dom Anuar Battisti para a Semana do Nascituro de 2025 Queridos filhos e filhas, a paz de Cristo, o Bom Pastor! Ao celebrarmos a Semana Nacional da Vida, nosso coração se volta para uma pergunta essencial que um doutor da Lei fez a Jesus: "E quem é o meu próximo?" (Lc 10,29). A resposta do Mestre, a parábola do Bom Samaritano, ressoa com especial força em nossos dias e nos oferece uma luz para compreender nossa missão diante do dom da vida nascente. A parábola nos fala de um homem deixado à beira do caminho, ferido e ignorado por aqueles que, por dever ou conveniência, decidiram "passar do outro lado". Hoje, o nascituro é, em muitos aspectos, este viajante anônimo. Sua existência, embora real e pulsante no santuário do ventre materno, é frequentemente ignorada pela indiferença de uma sociedade que acelera o passo, ou relativizada por vozes que não querem se comprometer com sua fragilidade. O Bom Samaritano, ao contrário, "viu, sentiu com...

Novena de Nossa Senhora Aparecida

  Queridos irmãos e irmãs, no passado dia 3 de outubro demos início à nossa novena em honra a Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil. São nove dias de oração, de meditação e de encontro com Deus, que culminarão na grande festa de 12 de outubro, quando todo o país se volta para esta Mãe amorosa que há mais de três séculos acompanha o nosso povo. A história de Aparecida nasce em águas turvas e difíceis, quando pescadores simples, cansados de lançar as redes sem sucesso, encontram uma pequena imagem da Virgem Maria. Que mensagem poderosa este episódio nos transmite! Assim como aqueles homens que experimentavam o peso do fracasso, também nós tantas vezes nos sentimos sem forças, frustrados, sem perspectivas. E é justamente nesse cenário de limite humano que Deus se revela. Ele nos mostra que, quando tudo parece perdido, Maria aparece como sinal de esperança, conduzindo-nos ao Cristo, que é a verdadeira luz para nossa vida. Ao longo dos séculos, o povo brasi...