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Dom Anuar Batisti
Formado em filosofia no Paraná e em teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, Dom Anuar Battisti é Arcebispo Emérito de Maringá (PR). Em 15 de abril de 1998, por escolha do papa João Paulo II, foi nomeado bispo diocesano de Toledo, sendo empossado no mesmo dia da ordenação episcopal, em 20 de junho daquele ano. Em 2009 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, um dos mais importantes, concedidos pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Em 2007, foi presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Sagrada, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2015, foi membro do Conselho Administrativo da Pastoral da Criança Internacional e, ainda na CNBB, foi delegado suplente. No Conselho Episcopal Latino-Americano atuou como Presidente do Departamento das Vocações e Ministérios, até 2019.

São João Maria Vianney e o dom do sacerdócio

 

“O sacerdote é o amor do Coração de Jesus” (São João Maria Vianney)

Celebramos no dia 4 de agosto a memória de São João Maria Vianney, o santo Cura d’Ars, patrono de todos os padres. Sua vida, marcada pela simplicidade, penitência e ardor missionário, continua a inspirar e interpelar a vocação sacerdotal nos dias de hoje.

Nascido em 1786, em Dardilly, na França, João Maria Vianney cresceu em uma família camponesa profundamente cristã. Desde cedo, sentiu o chamado ao sacerdócio, mas teve grande dificuldade nos estudos, especialmente no latim, o que quase o impediu de ser ordenado. No entanto, sua perseverança e vida de oração conquistaram a confiança de seus superiores, e ele foi ordenado sacerdote em 1815.

Pouco tempo depois, foi enviado à pequena e esquecida aldeia de Ars, onde viveria o restante de seus dias. Ars era um vilarejo indiferente à fé, mas o zelo pastoral do Cura d’Ars transformou completamente aquela comunidade. Ele passava horas e horas no confessionário, acolhendo peregrinos de toda a França, e dedicava-se à pregação, à direção espiritual e à celebração da Eucaristia com profundo amor e reverência. Sua fama de santidade se espalhou rapidamente.

São João Maria Vianney compreendia que o sacerdote não é apenas um líder religioso ou um funcionário da Igreja. Para ele, o padre é alguém configurado a Cristo, chamado a ser sinal da misericórdia divina, a mediar o encontro entre Deus e o povo. “Se compreendêssemos bem o que é um padre na Terra, morreríamos não de pavor, mas de amor”, dizia ele.

Sua vida nos lembra que o sacerdócio é, antes de tudo, um dom de Deus a serviço do povo. Os padres, com suas limitações humanas, são instrumentos da graça, chamados a anunciar a Palavra, celebrar os sacramentos, sobretudo a Eucaristia e a Reconciliação, e a guiar a comunidade com o coração de pastor.

Neste mês vocacional, e especialmente por ocasião da memória de São João Maria Vianney, somos convidados a rezar por todos os padres, agradecendo pelo dom de sua vocação e pedindo a Deus que os fortaleça na missão. Que também surjam novas vocações sacerdotais, fiéis ao Evangelho e apaixonadas por Cristo e pela Igreja.

Muitos padres hoje, infelizmente, passam por dificuldades de todas as sortes: doenças, privações, e mesmo o afastamento do ministério. Nós devemos rezar não só por estes sacerdotes em situações de vulnerabilidade, mas por todos os padres. O melhor presente que daremos a um padre neste mês de agosto é a nossa oração pelo seu ministério.

O Papa Leão XIV, na jornada mundial de orações pelos sacerdotes, disse com propriedade que: “Num mundo marcado por crescentes tensões, mesmo no seio das famílias e das comunidades eclesiais, o sacerdote é chamado a promover a reconciliação e a gerar comunhão. Ser construtores de unidade e de paz significa ser pastores capazes de discernimento, hábeis na arte de compor os fragmentos de vida que nos são confiados, para ajudar as pessoas a encontrar a luz do Evangelho no meio das tribulações da existência; significa ser leitores sábios da realidade, indo para além das emoções do momento, dos medos e das modas; significa oferecer propostas pastorais que geram e regeneram a fé, construindo boas relações, laços de solidariedade, comunidades onde brilha o estilo da fraternidade. Ser construtores de unidade e de paz não significa impor-se, mas servir. Em particular, a fraternidade sacerdotal torna-se um sinal crível da presença do Senhor Ressuscitado entre nós quando caracteriza o caminho comum dos nossos presbitérios.”

Diante do Coração de Cristo, renovem o “sim” a Deus e ao seu povo santo, pede ainda Leão, afirmando que os sacerdotes não devem ter medo da própria fragilidade, já que o Senhor não procura sacerdotes perfeitos, “mas corações humildes, abertos à conversão e prontos a amar como Ele mesmo nos amou”. “Não se esqueçam: um sacerdote santo faz florescer, à sua volta, a santidade", conclui o Santo Padre, confiando os sacerdotes a Maria, Rainha dos Apóstolos e Mãe dos Sacerdotes, e concedendo a todos sua bênção apostólica. Papa: o Senhor não procura sacerdotes perfeitos, mas corações humildes - Vatican News, último acesso em 25 de julho de 2025.

De minha parte, de coração em festa, quero abraçar a todos os sacerdotes e manifestar a minha gratidão pelo seu sim generoso e pelo seu trabalho gasto em favor da santificação do povo de Deus! Continuem dando a sua vida em favor da dilatação do Reino de Cristo na terra!

A exemplo do Cura d’Ars, que tanto amava o seu povo e que tantas vezes se ofereceu em sacrifício pelos pecadores, possamos reconhecer o

valor do sacerdócio e nos comprometer a apoiar, com oração e carinho, aqueles que Deus chamou para esse ministério tão sublime.

+Anuar Battisti Arcebispo Emérito de Maringá (PR) 

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