Quando
olhamos para o presépio que começa a ser montado em nossas casas e igrejas,
vemos a simplicidade de um Deus que se fez pequeno. Mas não nos enganemos:
aquela criança na manjedoura veio trazer uma revolução. A revolução do amor, da
esperança e da salvação. E essa Boa Nova, meus irmãos, precisa correr o mundo.
Ela não pode ficar parada, estagnada dentro de quatro paredes. Ela precisa de
pernas, de voz e, sim, precisa de nossas mãos estendidas através da partilha
material.
Neste
terceiro domingo do Advento, somos convocados pela CNBB – Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil – para a Coleta da Evangelização. Diferente de outras
campanhas, esta toca no nervo central da nossa identidade católica: o “ide” de
Jesus. Se a Igreja não evangeliza, ela perde a sua razão de ser. Mas como fazer
a Palavra chegar aos rincões deste nosso imenso Brasil sem recursos? Como
manter o barco do missionário na Amazônia, a capela na periferia urbana ou a
formação dos nossos leigos sem o combustível da solidariedade?
Uma
Igreja que não se cansa
Muitas
vezes, acostumados com a nossa paróquia organizada, com bancos confortáveis e
som de qualidade, esquecemos que a realidade eclesial brasileira é um mosaico
de desafios. Existem comunidades onde o padre só consegue chegar duas vezes por
ano. Existem locais onde a sede de Deus é imensa, mas faltam materiais básicos
de catequese.
A
Coleta da Evangelização é a resposta da nossa caridade a esses vazios. Ela é o
braço da Igreja que abraça quem está longe. O dinheiro que depositamos no altar
neste fim de semana se transforma em “pés” para o mensageiro do Evangelho. É um
recurso que não visa o lucro, mas a profecia. Ele sustenta a ação pastoral da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), garantindo que a Igreja
continue sendo uma voz ativa na defesa da vida, na promoção da justiça e no
anúncio incansável de Jesus Cristo.
Superar
o consumismo com a gratuidade
Vivemos
um tempo perigoso onde o Natal corre o risco de ser sequestrado pelo comércio.
As vitrines brilham, os apelos de compra são ensurdecedores. Neste cenário, a
Coleta da Evangelização surge como um ato de resistência espiritual. Doar para
a evangelização é dizer “não” ao egoísmo e “sim” ao Reino de Deus.
É
um gesto que nos liberta. Quando abrimos a mão para ofertar, abrimos o coração
para receber. Não se trata da quantia — Deus conhece o fundo de nossas
algibeiras e de nossas intenções —, mas da atitude interior de quem compreende
que tudo o que temos é dom do Pai e deve servir aos irmãos. A viúva do
Evangelho não deu o que sobrava, deu o que tinha para viver. Que ela seja nossa
inspiração para não darmos apenas as “migalhas” que sobram das festas de fim de
ano, mas uma oferta digna, fruto do nosso trabalho e da nossa fé.
Sustentar
a Esperança
O
tema da campanha deste ano nos fala de Cristo como nossa Paz. Olhem ao redor: o
mundo está sedento de paz, ferido por divisões e desesperança. A única vacina
eficaz contra o ódio é o Evangelho. Ao contribuir com esta campanha, você está
investindo na paz social, na recuperação de famílias destruídas, no resgate da
juventude e no consolo dos aflitos. A evangelização previne a violência porque
transforma o coração do homem.
Por
isso, faço um apelo vibrante a cada um de vocês: não deixem passar esta
oportunidade. Que a nossa oferta neste domingo seja generosa e alegre. Vamos
garantir que, em 2026, nenhum missionário precise recuar por falta de apoio,
que nenhuma comunidade fique sem assistência e que a voz da Igreja continue a
ecoar forte em defesa dos pequenos.
Vamos
juntos! A missão se faz com os joelhos que rezam, com os pés que partem e com
as mãos que partilham.
Deus
abençoe a sua generosidade.
+
Dom Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá, PR

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