Muitas
vezes, a sociedade ao nosso redor nos dá a impressão de que o Natal termina
assim que os presentes são abertos ou quando a ceia chega ao fim na noite de 24
de dezembro. Vemos as luzes sendo apagadas e o comércio já anunciando as
liquidações. No entanto, para nós, cristãos católicos, a celebração do Mistério
da Encarnação é tão grandiosa, tão profunda e tão transformadora que a Igreja,
em sua sabedoria milenar, nos ensina que um único dia é insuficiente para
celebrá-la.
É
por isso que vivemos a Oitava de Natal.
Do
dia 25 de dezembro até o dia 1º de janeiro — Solenidade de Santa Maria, Mãe de
Deus — a Igreja vive um "longo dia" de festa. Liturgicamente, cada um
desses oito dias é celebrado como se fosse o próprio dia de Natal. O tempo
para, o relógio da fé desacelera, para que possamos contemplar o Menino Deus na
manjedoura sob diferentes ângulos e perspectivas.
Costumo
dizer que a Oitava de Natal é como o eco de um sino gigante. A batida principal
ocorreu no nascimento de Jesus, mas o som reverbera, vibra e preenche o ar por
muito tempo depois. A alegria de saber que "Deus está conosco"
(Emanuel) é tão avassaladora que precisamos de tempo para deixar essa verdade
descer da cabeça para o coração.
Durante
estes oito dias, a liturgia nos coloca diante de figuras que testemunharam o
Cristo com a própria vida, os chamados "comites Christi"
(companheiros de Cristo): celebramos Santo Estêvão, o primeiro mártir; São João
Evangelista, o discípulo amado; e os Santos Inocentes. Isso nos recorda que o
Menino que nasce em Belém traz a paz, mas também exige de nós um compromisso
radical de amor e verdade, mesmo diante das dificuldades do mundo. O presépio e
a cruz não são realidades opostas, mas partes do mesmo mistério de amor
redentor.
Dentro
desta Oitava, celebramos também a Sagrada Família de Jesus, Maria e José.
Olhamos para a gruta de Belém e vemos o espelho de nossas próprias famílias.
Pedimos que nossas casas sejam, a exemplo de Nazaré, lugares de comunhão, de
oração e de autêntica escola do Evangelho. Em tempos de tantos desafios para a
instituição familiar, a Oitava de Natal nos convida a renovar os laços de afeto
e perdão dentro de casa.
Por
fim, a Oitava culmina no dia 1º de janeiro, quando o calendário civil marca o
início de um novo ano, mas a Igreja volta seus olhos para a Maternidade Divina
de Maria. Começamos o ano civil sob a proteção daquela que disse
"sim" ao plano de Deus. É também o Dia Mundial da Paz. Não há melhor
maneira de começar uma nova etapa no tempo do que pedindo a intercessão da Mãe
do Príncipe da Paz.
Meus
irmãos e irmãs, não deixem o espírito natalino se apagar rapidamente.
Aproveitem estes dias da Oitava para rezar em família, para contemplar o
presépio com calma e para agradecer. Que a luz que brilhou na noite santa
continue iluminando cada um dos dias deste novo ano que se aproxima.
O
Natal não é apenas uma data; é um estado de espírito que deve perdurar. Que a
alegria destes oito dias solenes transborde para todos os dias de 2026.
A
todos, uma santa e abençoada continuação das festas natalinas!
+Dom
Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá

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