Meus
irmãos e irmãs, a paz de Cristo!
Hoje
eu quero conversar com vocês sobre uma palavra que muita gente torce o nariz
quando ouve: Penitência. Parece coisa antiga, coisa de gente triste que gosta
de sofrer, não é? Mas vamos mudar essa ideia hoje. A penitência não serve para
torturar a gente. A penitência serve para curar, libertar e deixar a gente mais
forte.
Imaginem
uma pessoa que precisa fazer fisioterapia depois de quebrar a perna. Os
exercícios doem. O esforço cansa. A pessoa sua e às vezes até chora. Mas ela
faz aquilo porque quer voltar a andar, quer voltar a correr. A penitência é a
fisioterapia da alma. O pecado quebra as nossas pernas espirituais e nos deixa
paralisados no egoísmo. A penitência é o exercício que dói um pouquinho, mas
devolve o movimento e a alegria de caminhar com Jesus.
O
nosso Papa, Leão XIV, falou uma frase que eu guardei no coração. Ele disse:
"Não tenham medo das lágrimas do arrependimento, pois elas lavam os olhos
para vermos a Deus". Olha que coisa linda! Às vezes a gente precisa chorar
os nossos erros para enxergar o caminho certo.
Mas,
Dom Anuar, o que eu devo fazer de penitência hoje em dia? Preciso colocar milho
no joelho? Preciso vestir roupa que pinica? Não, meus filhos! A melhor
penitência é aquela que muda o seu coração e melhora a vida de quem está perto
de você.
Vou
dar uns exemplos bem práticos.
A
primeira penitência é aceitar a vida como ela é, sem reclamar. Sabe aquela dor
nas costas que incomoda? Sabe aquele calorão no ônibus lotado? Sabe aquele
chefe chato ou aquele vizinho barulhento? Em vez de xingar e reclamar o dia
todo, ofereça isso a Deus. Diga: "Senhor, eu aceito essa dificuldade por
amor a Ti e pela conversão dos pecadores". Isso vale mais do que pão e
água! Transformar a reclamação em oração é uma penitência poderosa.
A
segunda penitência é vencer o próprio eu. A gente quer ter razão em tudo. A
gente quer ter a última palavra na briga com a esposa ou o marido. Experimente
calar. Experimente pedir desculpas primeiro, mesmo achando que tem razão. Isso
dói no orgulho, eu sei. O orgulho grita dentro da gente. Mas quando você engole
o orgulho e pede perdão, você vence o diabo e traz a paz para dentro de casa.
Isso é penitência de gente grande!
A
terceira penitência é o Sacramento da Confissão. Não fujam do confessionário!
Tem gente que carrega um saco de pedras nas costas há vinte, trinta anos.
Pecados antigos, mágoas velhas, abortos não confessados, roubos, traições. Para
que carregar esse peso? O padre está lá para representar Jesus. Ele não está lá
para fofocar ou para brigar. Ele está lá para dizer "Eu te absolvo".
O
Papa Leão XIV pediu para os padres acolherem o povo com o coração de pai.
Então, vá sem medo. Entre no confessionário, ajoelhe e despeje todo esse lixo.
Quando você ouvir a absolvição, você vai sentir que tiraram uma montanha dos
seus ombros. A alma sai leve, sai voando. Essa é a alegria que a penitência
traz.
E
não esqueçam da reparação. Se você quebrou o vidro da janela do vizinho, não
adianta só pedir desculpas, tem que pagar o vidro! Se você falou mal de alguém,
vá lá e fale bem agora. Se você prejudicou alguém, conserte. A penitência
precisa ser honesta. Deus perdoa tudo, mas Ele quer ver o nosso esforço em
consertar o que estragamos.
Meus
amigos, aproveitem a Quaresma. Façam pequenos sacrifícios com amor. Deixem o
doce, deixem a cervejinha, deixem a novela ou o celular, mas façam isso com um
sorriso no rosto. O Papa diz que "santo triste é um triste santo". O
penitente cristão é feliz porque sabe que é amado e perdoado.
Vamos
limpar a alma. Vamos treinar o espírito. A Páscoa vem aí e Jesus quer nos
encontrar em forma, prontos para a festa da Vida.
Coragem!
Deus está com você nessa caminhada.
Deus
abençoe a todos!
Orani
João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo
Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
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