Vocês
já viram o cartaz da Campanha da Fraternidade deste ano? A imagem toca a gente
lá no fundo. O tema é "Fraternidade e Moradia" e o lema diz:
"Ele veio morar entre nós" (Cf. Jo 1,14). Eu quero conversar com você
hoje sobre isso de um jeito bem simples e direto. Olhe para a sua casa agora.
Olhe para as paredes, para o teto, para o chão. Você já agradeceu a Deus hoje
por ter um lugar para dormir?
A
gente se acostuma com o conforto e esquece que a casa é um milagre diário. Mas
basta dar uma volta no centro da nossa cidade ou na periferia para ver que esse
milagre não chega para todo mundo. Tem gente dormindo no papelão. Tem família
inteira morando num cômodo úmido que adoece as crianças. Tem gente que paga um
aluguel tão caro que falta dinheiro para a comida. Isso não está certo. Isso
ofende o coração de Deus.
Jesus
nasceu sem casa. Vocês lembram do Natal? Maria e José bateram de porta em porta
e ninguém acolheu. O Salvador do Mundo nasceu num estábulo, no meio dos
animais, porque "não havia lugar para eles". Hoje Jesus continua
nascendo sem casa. Ele está na pessoa daquele pai de família que chora porque
vem o despejo. Ele está naquela mãe que vive em área de risco e não dorme
quando chove com medo do barranco cair.
A
Campanha da Fraternidade vem puxar a nossa orelha. Ter moradia não é luxo. Ter
moradia é direito sagrado de gente! Quem não tem endereço não consegue arrumar
emprego. Quem não tem chuveiro não consegue cuidar da higiene. Quem não tem
casa vive com medo. A casa organiza a vida da gente. A casa é o lugar do
abraço, da proteção, da família reunida.
O
lema diz que Deus veio "morar" entre nós. Ele virou nosso vizinho. E
como nós tratamos os nossos vizinhos que sofrem? Muitas vezes nós lavamos as
mãos. Dizemos que o problema é do governo, que a pessoa está na rua porque quer
ou porque tem vício. Cuidado com esse julgamento! Ninguém mora na rua por
gosto. Existem histórias de dor, de abandono e de desemprego por trás de cada
pessoa em situação de rua.
Eu
peço a você: não vire o rosto. Olhe nos olhos. A Campanha pede fraternidade.
Fraternidade significa tratar o outro como irmão e não como lixo. Nós
precisamos apoiar projetos que constroem moradias populares. Precisamos cobrar
dos políticos que a gente elegeu para que eles resolvam o déficit habitacional.
Existem tantos prédios vazios servindo apenas para especulação enquanto o povo
não tem onde morar. A propriedade tem que servir para a vida!
Você
pode fazer algo concreto. Ajude as obras sociais da Igreja que acolhem os
sem-teto. Participe da Coleta da Solidariedade no Domingo de Ramos com
generosidade. Mas faça também o pequeno gesto: trate com respeito quem vive na
rua. Bom dia, boa tarde, um copo de água, um prato de comida. Isso devolve a
dignidade.
A
casa aqui na terra prepara a gente para a Casa do Céu. Jesus disse: "Na
casa de meu Pai há muitas moradas". Lá no Céu tem lugar para todo mundo.
Mas Deus quer que a gente comece a construir o Reino dele aqui agora. E no
Reino de Deus ninguém fica ao relento.
Valorize
o seu lar. Cuide da sua família. Mas abra o coração para quem não tem a mesma
sorte. Vamos juntos fazer um mutirão de solidariedade.
Deus
abençoe a sua casa e a sua vida!
+
Anuar Battisti
Arcebispo
Emérito de Maringá, PR
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