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Mostrando postagens de março, 2026

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Dom Anuar Batisti
Formado em filosofia no Paraná e em teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, Dom Anuar Battisti é Arcebispo Emérito de Maringá (PR). Em 15 de abril de 1998, por escolha do papa João Paulo II, foi nomeado bispo diocesano de Toledo, sendo empossado no mesmo dia da ordenação episcopal, em 20 de junho daquele ano. Em 2009 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, um dos mais importantes, concedidos pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Em 2007, foi presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Sagrada, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2015, foi membro do Conselho Administrativo da Pastoral da Criança Internacional e, ainda na CNBB, foi delegado suplente. No Conselho Episcopal Latino-Americano atuou como Presidente do Departamento das Vocações e Ministérios, até 2019.

“Prometes obediência a mim e aos meus sucessores?”: Do Poder que Domina ao Serviço que Escuta

  Como compreender, no rito de ordenação sacerdotal, a promessa: “Prometes obediência a mim e aos meus sucessores?” Ao que o ordinando responde: “Sim, prometo”. Esta resposta não é a assinatura de um contrato de servidão, mas a entrega livre da própria vontade a Deus através da Igreja. Contudo, vivemos um momento de dor e sofrimento descabido nas relações entre bispos e padres. É urgente uma reflexão e uma inflexão profunda: a hierarquia não existe para o desmando, mas para a comunhão e o serviço. A obediência cristã sempre foi compreendida como um caminho de liberdade interior, nunca como submissão cega. O clérigo procura viver uma obediência que o deixa “livre para servir”. Desde os primeiros séculos, obedecer (do latim ob-audire) significava escutar ativamente a vontade divina. A história, porém, também conheceu a patologia da subserviência. Esta nasce quando a liberdade é sufocada, quando o medo substitui o discernimento e a autoridade assume formas de controlo. A subserviê...

Este é o meu Filho muito amado, escutai-O!

Na segunda etapa do caminho quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos a revitalizar a nossa fé, a escutar a voz de Deus, a pormo-nos a caminho, sem reticências nem prevenções, na direção que Ele nos indicar. Pode ser que, à luz da lógica humana, os caminhos que Deus nos aponta pareçam estranhos e ilógicos; mas eles conduzem, indubitavelmente, à vida verdadeira e eterna. Neste Segundo Domingo da Quaresma somos convidados à contemplação da iniciativa divina de revelar-se à humanidade! A Revelação de Deus não é fruto de mérito humano, mas expressão de sua misericórdia e de seu desejo de conduzir a pessoa à plenitude da vida. A primeira leitura – Gn 12,1-4a – coloca diante dos nossos olhos aquele que a catequese de Israel considera o “modelo” do crente: Abraão. Depois de ouvir Deus dizer-lhe “põe-te a caminho”, Abraão deixa tudo, corta todas as amarras e avança rumo ao desconhecido, disposto a abraçar todos os desafios que Deus entender apresentar-lhe. A sua obediência é total, a sua conf...

Homilia – 2º Domingo da Quaresma (Ano A)

  Verdadeiro itinerário espiritual: chamado, promessa, cruz e glória! Vamos subir com o Senhor ao monte da Transfiguração! Amados irmãos e irmãs, A liturgia deste segundo domingo da Quaresma — Ano A — apresenta-nos um verdadeiro itinerário espiritual: chamado, promessa, cruz e glória. A Palavra de Deus nos convida a sair, a confiar e a subir com o Senhor ao monte da Transfiguração. Na primeira leitura, do Livro do Gênesis (Gn 12,1-4a), Deus dirige-se a Abrão com uma ordem exigente e, ao mesmo tempo, cheia de promessa: “Sai da tua terra, da tua família e da casa de teu pai, e vai para a terra que eu te mostrarei.” Abrão é chamado a deixar a segurança do que conhece para apoiar-se unicamente na palavra de Deus. E o Senhor promete: “Farei de ti uma grande nação e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” A Quaresma é este tempo de saída interior. Somos chamados a deixar o pecado, o comodismo, as falsas seguranças, e a caminhar sustentados pela confiança. O salmo 32(33)...