Como compreender, no rito de ordenação sacerdotal, a promessa: “Prometes obediência a mim e aos meus sucessores?” Ao que o ordinando responde: “Sim, prometo”. Esta resposta não é a assinatura de um contrato de servidão, mas a entrega livre da própria vontade a Deus através da Igreja. Contudo, vivemos um momento de dor e sofrimento descabido nas relações entre bispos e padres. É urgente uma reflexão e uma inflexão profunda: a hierarquia não existe para o desmando, mas para a comunhão e o serviço. A obediência cristã sempre foi compreendida como um caminho de liberdade interior, nunca como submissão cega. O clérigo procura viver uma obediência que o deixa “livre para servir”. Desde os primeiros séculos, obedecer (do latim ob-audire) significava escutar ativamente a vontade divina. A história, porém, também conheceu a patologia da subserviência. Esta nasce quando a liberdade é sufocada, quando o medo substitui o discernimento e a autoridade assume formas de controlo. A subserviê...