Irmãos
e irmãs, celebramos o 5º Domingo da Páscoa, no Ano A, ainda envolvidos pela
alegria da Ressurreição do Senhor. A liturgia deste tempo pascal vai, pouco a
pouco, nos preparando para a Ascensão e para Pentecostes, ajudando-nos a
compreender que Cristo ressuscitado permanece presente na vida da Igreja e nos
conduz ao Pai.
A
primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos (At 6,1-7), apresenta um momento
importante da Igreja nascente. O número dos discípulos crescia, mas, com o
crescimento, surgiam também tensões e dificuldades. As viúvas de origem grega
estavam sendo negligenciadas no atendimento diário. Diante dessa situação
concreta, os apóstolos, iluminados pelo Espírito Santo, tomam uma decisão:
escolhem sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, para
cuidar do serviço às mesas, enquanto eles se dedicam à oração e ao anúncio da
Palavra.
Essa
passagem nos ensina que a Igreja é, ao mesmo tempo, espiritual e concreta. Não
basta anunciar a Palavra; é necessário também cuidar das necessidades reais das
pessoas. A caridade e a organização caminham juntas. Além disso, vemos aqui a
origem do ministério diaconal, sinal de serviço na comunidade. Onde há
verdadeira fé, há também compromisso com o irmão.
O
Salmo (Sl 32) nos convida: “Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma
forma que em vós nós esperamos”. É uma oração de confiança. O povo de Deus
é chamado a esperar no Senhor, certo de que Ele conduz a história e não
abandona aqueles que nele confiam.
Na
segunda leitura (1Pd 2,4-9), São Pedro nos apresenta uma imagem muito rica:
Cristo é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus. E nós
também somos pedras vivas, chamados a formar um edifício espiritual. Isso
significa que a Igreja não é feita de estruturas materiais, mas de pessoas que,
unidas a Cristo, constroem uma comunidade viva. Somos um povo escolhido,
sacerdócio real, nação santa, chamados a anunciar as maravilhas de Deus.
O
Evangelho (Jo 14,1-12) nos traz palavras profundamente consoladoras de Jesus.
Ele diz: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé
também em mim”. Jesus fala aos discípulos num momento de despedida. Ele
sabe que sua paixão se aproxima e prepara o coração deles para a sua partida.
Mas
essa partida não é abandono. Jesus afirma que vai preparar um lugar para nós. A
nossa vida não termina aqui; estamos a caminho da casa do Pai. Essa certeza
deve sustentar a nossa esperança, sobretudo nas dificuldades e incertezas da
vida.
Quando
Tomé pergunta: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos
conhecer o caminho?”, Jesus responde com uma das afirmações mais fortes do
Evangelho: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Não se trata apenas
de indicar um caminho, mas de afirmar que Ele próprio é o caminho. Seguir Jesus
é a única via que nos conduz ao Pai.
Em
um mundo com tantas propostas, caminhos e “verdades”, o cristão é chamado a não
se confundir: é Cristo quem dá sentido à vida. Ele é a verdade que ilumina e a
vida que salva.
Filipe,
por sua vez, pede: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta”. E Jesus
responde: “Quem me viu, viu o Pai”. Aqui está o centro da nossa fé:
Jesus revela plenamente o rosto de Deus. Não precisamos buscar Deus em
realidades distantes ou abstratas; Ele se manifestou em Jesus Cristo.
Meus
irmãos, essa Palavra nos interpela diretamente. Muitas vezes também nós nos
sentimos inseguros, perturbados, sem saber qual caminho seguir. Diante das
dificuldades, podemos ser tentados a desanimar. Mas hoje o Senhor nos diz: “Não
se perturbe o vosso coração”. É um convite à confiança.
Confiar
em Deus não significa ausência de problemas, mas a certeza de que não
caminhamos sozinhos. Cristo ressuscitado está conosco e nos conduz.
A
Eucaristia que celebramos é sinal dessa presença. Aqui encontramos força para
continuar, luz para discernir e alimento para a caminhada. Ao comungarmos, nos
unimos àquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Peçamos,
neste dia, a graça de renovar a nossa fé. Que, mesmo em meio às dificuldades,
saibamos confiar em Deus. Que possamos viver como pedras vivas, construindo uma
Igreja mais fraterna, mais justa e mais fiel ao Evangelho.
Que
a Virgem Maria, mulher da confiança e da fidelidade, interceda por nós, para
que nunca percamos a esperança e permaneçamos firmes no caminho que nos conduz
ao Pai.
+Anuar
Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

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