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Mostrando postagens de junho, 2026

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Dom Anuar Batisti
Formado em filosofia no Paraná e em teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, Dom Anuar Battisti é Arcebispo Emérito de Maringá (PR). Em 15 de abril de 1998, por escolha do papa João Paulo II, foi nomeado bispo diocesano de Toledo, sendo empossado no mesmo dia da ordenação episcopal, em 20 de junho daquele ano. Em 2009 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, um dos mais importantes, concedidos pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Em 2007, foi presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Sagrada, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2015, foi membro do Conselho Administrativo da Pastoral da Criança Internacional e, ainda na CNBB, foi delegado suplente. No Conselho Episcopal Latino-Americano atuou como Presidente do Departamento das Vocações e Ministérios, até 2019.

Quem Dizes Tu Que Eu Sou? A pergunta que ainda ecoa e o fundamento que não cede

        A Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, colunas da Igreja, neste ano será antecipada para o domingo, dia 28 de junho. Queremos nos unir afetivamente ao Papa Leão XIV. Pedimos a Deus as mais preciosas bênçãos para o ministério petrino do Sumo Pontífice. A liturgia do 13º. Domingo do Tempo Comum cede lugar para a Solenidade de São Pedro e São Paulo. Por isso, há perguntas que atravessam séculos sem perder a força. A que Jesus faz aos discípulos em Cesareia de Filipe é uma delas: "E vós, quem dizeis que eu sou?" (Mt 16,15). Ele não pergunta o que os outros pensam. Pergunta o que nós pensamos. A resposta de Pedro naquele momento não foi fruto de pesquisa ou de raciocínio teológico elaborado. Foi revelação. "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo" (Mt 16,16). E Jesus deixa claro: isso não veio de carne nem de sangue. Veio do Pai. Essa distinção importa muito. Há um conhecimento sobre Jesus que se aprende nos livros, nas aulas, nos debates. E há um conhecim...

Apóstolos Pedro e Paulo, colunas da Igreja!

  Pedro e Paulo, dois grandes apóstolos, dos quais suas vocações e missões se complementam, como no duplo movimento de um coração pulsante: a firmeza institucional de Pedro e o ardor missionário de Paulo, uma complementariedade que se encarna perfeitamente no coração de cada lar cristão. Isto porque a família, como nos lembra o Concílio Ecumênico Vaticano II, é a Igreja Doméstica . E, como Igreja, cada família é chamada a viver o seu papel ad intra , na fidelidade de Pedro, e ad extra , na ousadia de Paulo. Olhando para Pedro, contemplamos a rocha, a estrutura, a ordem e a transmissão fiel da fé. Na vida familiar, a dimensão ad intra representa o resgate da Igreja Doméstica como essa instituição sagrada de comunhão e estabilidade. O caráter institucional, quando transposto para o lar, perde qualquer tom burocrático e ganha a beleza da fidelidade cotidiana. A família é o primeiro espaço onde a fé ganha "corpo" e rotina santa. É na solidez de Pedro que a família constrói sua...

Sejamos, como São Pedro e São Paulo, fiéis a Jesus e ao Evangelho!

  A Igreja celebra, no dia 29 de junho, a Solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo. No Brasil, por questões pastorais, esta Solenidade será celebrada no domingo anterior, dia 28 de junho. É o dia do Papa. São Pedro e São Paulo chegaram a Jesus por caminhos diferentes. Pedro, o pescador, ouviu o chamamento de Jesus nas margens do Mar da Galileia; Paulo, o rabi judeu, encontrou-se com Jesus no caminho de Damasco. Ambos apostaram tudo em Jesus e seguiram-no até ao martírio (os dois foram mortos em Roma, durante a perseguição ordenada pelo imperador Nero). São Pedro e São Paulo, cada um à sua maneira, são duas grandes referências para os cristãos de todas as épocas. As leituras deste dia desafiam-nos a seguir o seu exemplo de fidelidade a Jesus e ao Evangelho. O Evangelho – Mt 16,13-19 – convida os discípulos a aderirem a Jesus e a verem-no como “o Messias, o Filho de Deus vivo”. Dessa adesão, nasce a Igreja – a comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada à volta...

O Que Tenho, Eu Te Dou - Amor, missão e a graça que transforma o que está parado

  Na tarde que antecede a grande Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, a liturgia nos conduz por um caminho surpreendente. Não começa com discursos sobre autoridade ou grandeza apostólica. Começa com um homem coxo, sentado na porta do Templo, esperando uma esmola. É ali, naquele detalhe aparentemente menor, que tudo acontece. (At 3,1-10) Pedro e João sobem ao Templo para a oração da tarde. No caminho, um pedinte. Coxo de nascença, colocado todos os dias naquele mesmo lugar, diante da porta chamada Formosa. A cena se repetia há anos. Ele pedia. As pessoas passavam. Alguns davam moedas. A maioria não parava. Naquele dia, Pedro para. E diz algo que muda tudo: "Olha para nós" (At 3,4). Esse convite a olhar já é, em si, um gesto de humanidade. Quantas vezes passamos diante do sofrimento sem deixar que ele nos alcance? A missão apostólica começa aqui: na disposição de ver o que está diante dos olhos e não desviar o rosto. A pobreza que liberta para o essencial: A resposta de ...

João Batista é a labareda que ilumina o Cristo, que tira o pecado do mundo!

  Dentre os muitos aspectos das festividades do mês de junho, um que seguramente ocupa o centro da tradição popular é o fogo incandescente na noite de São João. A tradicional “Fogueira de São João”, acendida em meio aos terreiros Brasil afora, aquece não só os transeuntes que passam em seu entorno, como também o coração daqueles que, estimulados pelas canções ao toque das sanfonas e de outros tantos instrumentos, fazem ressoar uníssonos a beleza do canto do sertão. Todavia, mais que uma ocasião de festa em torno às chamas, as fogueiras acendidas têm suas origens para além dos festivais a modas soltas. A fogueira de São João é, antes de tudo, um dos símbolos mais potentes das festas juninas, carregando significados que unem a fé cristã a antigas tradições. O elemento fogo atua como uma fonte entre o sagrado, a natureza em seus ciclos e a própria vida comunitária. Para além disto, o fogo carrega um chamado mais profundo que por vezes é quase esquecido, haja vista o propósito cristã...

Antes de Você Nascer, Deus Já Tinha um Plano

                            A Vigília da Natividade de São João Batista e o Mistério da Vocação Há uma frase que atravessa as leituras desta Vigília da Solenidade da Natividade de São João Batista como uma corrente subterrânea. Ela aparece em Jeremias, ressoa no Salmo e encontra sua forma mais concreta no anúncio do anjo a Zacarias: Deus age antes. Antes de qualquer escolha nossa, antes mesmo de qualquer possibilidade humana, Deus já está trabalhando. "Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci" (Jr 1,5). Essas palavras foram ditas a Jeremias, um jovem que se achava despreparado, sem eloquência, sem experiência. Mas a vocação não nasce da competência humana. Ela nasce do coração de Deus. E o que vale para Jeremias vale para João Batista, e vale, de alguma forma, para cada um de nós. O que a Vigília nos convida a contemplar? A Igreja, ao celebrar a Vigília da natividade de São João Batista, faz algo que va...

O Nome que Deus Escolheu

                   A Natividade de São João Batista e o Mistério de Uma Vida Chamada pelo Nome Há um momento no Evangelho de hoje que merece atenção especial. Quando os vizinhos e parentes de Isabel insistem em dar ao recém-nascido o nome do pai, ela responde com firmeza: "Não. Ele vai chamar-se João" (Lc 1,60). Um nome que ninguém na família tinha. Um nome que veio de outro lugar. Um nome que Deus havia escolhido antes mesmo da concepção. Nomear é reconhecer. Quando Deus nomeia alguém, está dizendo: eu te conheço, eu te escolhi, eu tenho um propósito para você. Isso é o que Isaías anuncia na primeira leitura: "O Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome" (Is 49,1). O mesmo que vale para o Servo do Senhor no texto de Isaías vale para João. E vale, de uma forma própria, para cada ser humano que vem ao mundo. Quando a boca se abre para louvar. Zacarias ficou em silêncio durante tod...

12º Domingo do Tempo Comum - Deus providenciará! Confiemos somente em Deus!

A Palavra de Deus deste 12º Domingo do Tempo Comum nos convida a refletir sobre um tema fundamental da vida cristã: a confiança em Deus em meio às perseguições, dificuldades e desafios da missão. As leituras de hoje nos mostram que seguir o Senhor nem sempre significa percorrer um caminho fácil, mas significa caminhar com a certeza de que Deus nunca abandona aqueles que lhe permanecem fiéis. Na primeira leitura, retirada do livro do profeta Jeremias (Jr 20,10-13), encontramos um homem profundamente provado. Jeremias experimenta a rejeição, a perseguição e a traição. Aqueles que deveriam ser seus amigos aguardam sua queda. O profeta sente o peso da solidão e da incompreensão por ter permanecido fiel à missão que Deus lhe confiou. Suas palavras revelam um coração ferido: “Eu ouvi as injúrias de tantos homens: ‘Terror por todos os lados!’”. Contudo, Jeremias não se deixa vencer pelo desespero. No meio da angústia, ele proclama uma grande profissão de fé: “O Senhor está ao meu lado como fo...

Não Tenhais Medo

O Evangelho do 12º Domingo do Tempo Comum e a Coragem de Quem Sabe que É Amado Três vezes em poucos versículos Jesus repete o mesmo comando: não tenhais medo. Não é uma repetição por acaso. É o sinal de que ele sabia muito bem o que seus discípulos enfrentariam. E sabia, também, que o medo seria a primeira tentação a paralisar o testemunho. Jeremias conheceu isso na própria pele. A primeira leitura de hoje não é um texto teológico distante – Jr 20,10-13 –. É o desabafo de um homem cercado: "Denunciai-o, denunciemo-lo. Todos os amigos observavam minhas falhas" (Jr 20,10). Jeremias não estava sofrendo por ter feito algo errado. Estava sofrendo por ter dito a verdade. E a verdade, quando incomoda, provoca reação. O medo que paralisa e o medo que orienta. Há dois tipos de medo no Evangelho de hoje, e Jesus distingue os dois com precisão – Mt 10,26-33 –. Existe o medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. E existe o temor de Deus, que é de outra natureza. U...

Testemunhamos o Cristo Ressuscitado sem medo!

As leituras deste domingo põem em relevo a dificuldade em viver como discípulo, dando testemunho do projeto de Deus no mundo. Sugerem que a perseguição está sempre no horizonte do discípulo... Mas garantem também que a solicitude e o amor de Deus não abandonam o discípulo que dá testemunho da salvação. A primeira leitura – Jr 20,10-13 – nos apresenta o exemplo de um profeta do Antigo Testamento – Jeremias –. É o paradigma do profeta sofredor, que experimenta a perseguição, a solidão, o abandono por causa da Palavra; no entanto, não deixa de confiar em Deus e de anunciar – com coerência e fidelidade – as propostas de Deus para os homens. Mesmo perseguido, o profeta confia que Deus está ao seu lado, por isso não teme seus adversários, que o condenam com base em mentiras. Está certo de que Deus restabelecerá seu direito, e sua breve oração acaba se tornando uma ação de graças. No Evangelho – Mt 10,26-33 –, é o próprio Jesus que, ao enviar os discípulos, os avisa para a inevitabilidade das...

11º Domingo do Tempo Comum – Ano A

         Irmãos e irmãs, neste 11º Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus nos convida a refletir sobre o chamado que Deus faz ao seu povo e sobre a missão que Ele confia àqueles que escolhe. As leituras de hoje nos mostram um Deus que toma a iniciativa, que chama, que ama e que envia. Desde o Antigo Testamento até o Evangelho, contemplamos a ação de Deus que deseja reunir todos os homens e mulheres em seu povo santo e fazer deles instrumentos de sua graça.          Na primeira leitura, retirada do Livro do Êxodo (Ex 19,2-6a), encontramos o povo de Israel aos pés do Monte Sinai. Depois de libertá-los da escravidão do Egito, Deus estabelece uma aliança com eles. O Senhor recorda tudo o que fez em favor do seu povo e faz uma promessa: “Sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa” . Israel não foi escolhido porque fosse melhor que os outros povos, mas porque Deus o amou e quis manifestar através dele a sua pr...

A Messe é Grande e Todos Somos Chamados

  O 11º Domingo do Tempo Comum nos lembra que a missão não pertence a poucos escolhidos, mas a um povo inteiro que foi levado sobre asas de águia   Caros irmãos e irmãs, Existe uma imagem no Êxodo que me acompanha há muitos anos. Deus fala a Moisés e diz: "vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim" (Ex 19,4). Não disse que abriu um caminho e esperou que o povo chegasse por conta própria. Disse que carregou. Que sustentou. Que trouxe. É Deus quem toma a iniciativa. É Deus quem carrega. E é exatamente esse Deus que, no Evangelho de hoje, olha para as multidões e sente compaixão. A liturgia deste 11º Domingo do Tempo Comum nos coloca diante de uma sequência que tem a força de um programa de vida: Deus escolhe um povo, esse povo é reconciliado pelo sangue de Cristo e, reconciliado, é enviado. Não há missão sem encontro. Não há envio sem pertença. Tudo começa em Deus e retorna a ele, mas passa necessariamente por nós. Um povo que não se fez a si mesmo Moisés – na pr...