Passados
50 dias da Páscoa chegamos a clausura do Tempo Pascal que se dá com a celebração
da Solenidade de Pentecostes. O tema deste domingo é, evidentemente, o Espírito
Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma,
constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo.
Se,
num certo sentido, todas as solenidades litúrgicas da Igreja são grandes, maior
é o Pentecostes porque, chegando ao quinquagésimo dia, assinala o cumprimento
do acontecimento da Páscoa, da morte e ressurreição do Senhor Jesus, através da
dádiva do Espírito do Ressuscitado. Para o Pentecostes, a Igreja preparou-nos
nos dias passados com a sua oração, com a invocação reiterada e intensa a Deus,
para alcançar uma renovada efusão do Espírito Santo sobre nós. Assim, a Igreja
reviveu aquilo que acontecera nas suas origens quando os Apóstolos, reunidos no
Cenáculo de Jerusalém, “perseveravam unanimemente na oração com as mulheres,
entre as quais Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele” (At 1, 14).
Estavam congregados na expectativa humilde e confiante, que se cumprisse a
promessa do Pai, a eles comunicada por Jesus: “Vós sereis batizados no Espírito
Santo, daqui a poucos dias... descerá sobre vós o Espírito Santo, que vos dará
a sua força” (At 1, 5.8).
O
Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus
ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva,
recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos
crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que
Jesus viveu até às últimas consequências.
Na
primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a
caminhada dos crentes. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que
faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e
comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e
culturas.
Na
segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da
comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que
fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser
usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.
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Anuar Battisti
Arcebispo
Emérito de Maringá, PR

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