Irmãos e irmãs,
Celebramos neste Décimo Sexto Domingo do Tempo
Comum. A liturgia continua apresentando o chamado "discurso das
parábolas", no Evangelho segundo São Mateus (Mt 13,24-43). Hoje, Jesus
nos ensina por meio da parábola do trigo e do joio, revelando-nos, acima de
tudo, a paciência e a misericórdia de Deus.
O Senhor conta que um homem semeou boa semente em
seu campo. Entretanto, durante a noite, o inimigo veio e semeou joio no meio do
trigo. Quando as plantas cresceram, os empregados perceberam a presença das
duas espécies e perguntaram ao dono se deveriam arrancar imediatamente o joio.
A resposta foi surpreendente: "Não! Pode acontecer que, arrancando
o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a
colheita" (Mt 13,29-30).
À primeira vista, essa atitude parece estranha.
Afinal, qualquer agricultor deseja eliminar as ervas daninhas o quanto antes.
Mas Jesus não está dando uma aula de agricultura; está falando sobre o Reino de
Deus e sobre a convivência entre o bem e o mal neste mundo.
Vivemos numa sociedade em que frequentemente
desejamos soluções imediatas. Queremos que Deus castigue rapidamente os maus,
elimine toda injustiça e resolva instantaneamente os problemas da humanidade.
Entretanto, Deus age com uma lógica diferente da nossa. Sua justiça é
inseparável de sua misericórdia.
A primeira leitura, retirada do Livro da Sabedoria
– Sb 12,13.16-19 –, apresenta justamente esse aspecto do coração de Deus: "Tu
julgas com moderação e governas-nos com grande indulgência" (Sb
12,18). E acrescenta que Deus concede aos pecadores "a possibilidade
de conversão" (cf. Sb 12,19). Essa talvez seja uma das maiores
manifestações do amor divino: Deus nunca desiste do ser humano enquanto houver
possibilidade de arrependimento.
Quantas vezes nós mesmos fomos beneficiados por
essa paciência de Deus! Se o Senhor tivesse nos julgado apenas pelos nossos
erros, onde estaríamos hoje? Quantas oportunidades recebemos para recomeçar,
corrigir nossas falhas e amadurecer na fé!
O joio da parábola – Mt 13,24-43 – não está apenas
no mundo; ele também pode existir dentro de cada um de nós. Em nosso coração
convivem virtudes e fraquezas, generosidade e egoísmo, fé e dúvidas, coragem e
medo. A conversão cristã consiste justamente em permitir que a graça de Deus
fortaleça o trigo e enfraqueça o joio presente em nossa vida.
Por isso, antes de apontarmos os defeitos dos
outros, devemos fazer um sincero exame de consciência. Jesus já havia
advertido: "Por que observas o cisco no olho do teu irmão e não
percebes a trave que está no teu?" (Mt 7,3).
Infelizmente, vivemos uma cultura marcada pelo
julgamento rápido. As redes sociais favoreceram, muitas vezes, a condenação
precipitada das pessoas. Com poucas informações, já emitimos sentenças,
criticamos, cancelamos e rotulamos alguém como se conhecêssemos toda a sua
história. O Evangelho de hoje nos convida à prudência. Somente Deus conhece o
coração humano.
Isso não significa que devamos relativizar o pecado
ou aceitar o mal. O mal existe e precisa ser combatido. A diferença é que
combatemos o pecado, mas nunca deixamos de amar o pecador. Foi assim que Jesus
agiu durante toda a sua vida pública. Aproximou-se dos publicanos, acolheu os
pecadores, perdoou a mulher adúltera, chamou Zaqueu à conversão e prometeu o
Paraíso ao bom ladrão. Em todos esses casos, condenou o pecado, mas ofereceu ao
pecador uma nova oportunidade.
Na segunda leitura – Rm 8,26-27 –, São Paulo também
nos oferece grande esperança ao afirmar: "O Espírito vem em
auxílio da nossa fraqueza" (Rm 8,26). Muitas vezes não sabemos
sequer como rezar, mas o próprio Espírito Santo intercede por nós com gemidos
inefáveis. Isso significa que Deus não espera de nós uma perfeição imediata;
espera um coração aberto à ação da graça.
Depois da parábola do trigo e do joio, Jesus
apresenta ainda duas pequenas comparações: o grão de mostarda e o fermento. O
Reino de Deus começa de maneira humilde, quase imperceptível, mas possui uma
força extraordinária de crescimento.
O grão de mostarda era considerado uma das menores
sementes conhecidas na Palestina, mas transformava-se numa planta de grande
porte. Assim também acontece com nossa vida espiritual. Pequenos gestos de
fidelidade diária podem produzir frutos imensos. Uma oração feita com
sinceridade, uma visita a um doente, um perdão concedido, uma palavra de
esperança, a participação fiel na Santa Missa dominical: tudo isso parece
pequeno aos olhos do mundo, mas possui enorme valor diante de Deus.
O fermento, por sua vez, desaparece na massa, mas
transforma toda a farinha. Também os cristãos são chamados a ser esse fermento
no meio da sociedade. Não precisamos dominar o mundo para transformá-lo. Basta
viver autenticamente o Evangelho na família, no trabalho, na escola e em todos
os ambientes onde estivermos.
O Papa Leão XIV tem insistido que o testemunho
silencioso de uma vida santa continua sendo uma das formas mais eficazes de
evangelização. O mundo talvez não leia a Bíblia, mas observa atentamente a vida
dos cristãos. Quando vivemos com honestidade, caridade, humildade e esperança,
tornamo-nos sinais visíveis da presença de Deus.
Ao participarmos desta Eucaristia, peçamos ao
Senhor duas graças especiais. A primeira é que tenha paciência conosco,
ajudando-nos a vencer o joio que ainda existe em nosso coração. A segunda é que
também aprendamos a olhar os outros com misericórdia, oferecendo-lhes sempre a
possibilidade do perdão, da acolhida e da conversão.
Que Maria Santíssima, Mãe da Misericórdia, nos
ensine a cultivar o bom trigo da fé, da esperança e da caridade, para que, no
dia da colheita definitiva, possamos ser reunidos por Cristo em seu Reino
eterno.
Assim seja.
+Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá, PR

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