Queridos
filhos e filhas,
O
calendário da Igreja é a cadência do nosso coração. Com a chegada do Advento,
viramos uma página importante na nossa fé. Deixamos para trás o Ano C, guiados
pelo evangelista Lucas, o doutor da misericórdia, para nos encontrarmos com São
Mateus, o companheiro que nos conduzirá através de todo o Ano Litúrgico A.
Eu
gosto muito de meditar sobre a história pessoal deste nosso novo guia. Antes de
ser Mateus, ele era Levi. Um homem que tinha sua vida resolvida, sentado na sua
banca de cobrança de impostos (cf. Mt 9,9). Sua preocupação era o cálculo, o
dinheiro, o ter. Ele estava no centro do seu próprio mundo, mas, talvez, vazio
por dentro.
E
então, Jesus passou. Ele não parou para condenar Levi por sua profissão. Não
fez um sermão sobre a justiça dos impostos. Apenas pousou sobre ele o olhar de
amor. Um olhar que via não o cobrador, mas o potencial de santo. E disse
apenas duas palavras: "Segue-me".
Este
é o poder da conversão. Mateus se levantou imediatamente. Deixou a banca,
deixou as moedas, e ganhou uma riqueza que não se conta em valores terrenos.
Ele ganhou a missão de escrever sobre o Reino, de ser uma testemunha.
Meus
irmãos, a Campanha para a Evangelização é exatamente este momento de "se
levantar". É quando Jesus passa pela nossa rotina, pela nossa
"banca" de trabalho e de preocupações, e nos convida a partilhar
aquilo que temos, deixando a mentalidade de acumulação.
O
Evangelho de Mateus, o "Evangelho do Reino" e o "Evangelho da
Comunidade", é a nossa escola para este ano. É ele quem nos presenteia com
o Sermão da Montanha. Subir a montanha com Jesus é aprender as
Bem-aventuranças, que nos ensinam o contrário do que o mundo prega.
Por
exemplo, ele nos diz: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque
alcançarão misericórdia" (Mt 5, 7).
Para
nós, cristãos, a misericórdia não é apenas um sentimento bonito; é um modo de
vida. A misericórdia é o braço estendido da caridade. Eu penso no trabalho de
nossas pastorais, na visita ao doente, no prato de comida partilhado. Isso é
viver as Bem-aventuranças na prática. Quando somos misericordiosos com o
próximo, nós nos preparamos para o grande encontro onde o próprio Cristo nos
perguntará sobre a nossa capacidade de amar (cf. Mt 25, 31-46).
A
nossa Campanha para a Evangelização traduz esta misericórdia em recursos. A
obra de evangelização da Igreja no Brasil é imensa. Há lugares remotos que só
recebem a Palavra de Deus e os sacramentos graças ao esforço missionário que
esta campanha sustenta.
A
missão não é sustentada por anjos, mas por pessoas que se levantam de sua
"banca" e partilham seus dons, seu tempo e seu dinheiro. Lembremo-nos
de Nossa Senhora, a primeira a se levantar e a primeira a evangelizar na pressa
e alegria de visitar sua prima Isabel. Maria não ficou parada; ela se fez a primeira
missionária. A contribuição de cada um de nós é o fiat moderno, que
permite à Igreja levar a graça de Deus aos seus filhos.
Ao
longo deste Ano A, que Mateus nos ensine a não ter medo de deixar para trás o
que é passageiro. Que tenhamos a coragem de sair do apego e da mesquinhez para
investir naquilo que é eterno. A verdadeira alegria do Natal, que se aproxima,
é a alegria da doação, do esvaziamento, de se fazer pequeno.
Que
a Virgem Santíssima, a Mãe Aparecida, que nos ensina a contar as bênçãos de
Deus em vez de contar os problemas do mundo, interceda por nós. Que tenhamos um
Ano A cheio de luz e que a nossa Campanha para a Evangelização seja o sinal
concreto da nossa fé e da nossa esperança.
Com
minha bênção pastoral e orações,
+Dom
Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá

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