Na
Solenidade da Imaculada Conceição somos convidados a equacionar o tipo de
resposta que damos aos desafios de Deus. Ao propor-nos o exemplo de Maria de
Nazaré, a liturgia convida-nos a acolher, com um coração aberto e disponível,
os planos de Deus para nós e para o mundo.
A
segunda leitura – Ef 1,3-6.11-12 – garante-nos que Deus tem um projeto de vida
plena, verdadeira e total para cada homem e para cada mulher, um projeto que
desde sempre esteve na mente do próprio Deus. Esse projeto, apresentado aos
homens através de Jesus Cristo, exige de cada um de nós uma resposta decidida,
total e sem subterfúgios. Desde a eternidade, Deus nos amou, nos escolheu e nos
destinou à felicidade. Ele nos une a Cristo para apagar nossos pecados e nos
tornar santos.
A
primeira leitura – Gn 3,9-15.20 – mostra, recorrendo à história mítica de Adão
e Eva, o que acontece quando rejeitamos as propostas de Deus e preferimos
caminhos de egoísmo, de orgulho e de autossuficiência... Viver à margem de Deus
leva, inevitavelmente, a trilhar caminhos de sofrimento, de destruição, de
infelicidade e de morte. Este relato de queda, torna-se uma antítese do
Evangelho. De um lado, o casal primigênito pecou e afastou-se de Deus. A
consequência da desobediência é a vergonha, a irresponsabilidade e a
imaturidade. A pergunta divina “onde estás?” (Gn 3,9b) é mais de ordem
existencial-religiosa do que geográfica. A partir do pecado, o ser humano,
envergonhado, “foge e se esconde” de Deus, o Criador. Por outro lado, Maria é
cheia de graça, a bendita entre as mulheres da terra, uma vez que viu
realizar-se em si mesma as promessas de Deus. O “sim” da Virgem Maria redime a
culpa de Eva e oportuniza à humanidade a contemplação da salvação, com a
Encarnação do Filho Jesus.
O
Evangelho – Lc 1,26-38 – apresenta a resposta de Maria ao plano de Deus. Ao
contrário de Adão e Eva, Maria rejeitou o orgulho, o egoísmo e a
autossuficiência e preferiu conformar a sua vida, de forma total e radical, com
os planos de Deus. Do seu “sim” total, resultou salvação e vida plena para ela
e para o mundo. O Anjo aparece a Maria não no templo ou em um ambiente religioso,
mas na sua casa. Com a colaboração dela, a divindade se une a humanidade na
criança que via nascer. Jesus é o Filho de Maria e presente de Deus para o
mundo. Maria acolhe o desafio e se proclama “serva do Senhor”, dispondo-se a
cumprir a vontade divina e com ela colaborar.
A
memória da Mãe de Jesus ajuda-nos a recordar que a espera pelo Senhor que vem
deve ser vivenciada em processo de conversão e de vigilância constantes. O
dogma mariano celebrado nos recorda de que Maria é a imagem da “nova Criação”,
pois é isenta de toda ruga e mancha trazidas pelo pecado original.
A
Solenidade da Imaculada Conceição pode ser resumida como a força da ternura:
“Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo!” (Lc 1,28). Mesmo vivendo num
mundo marcado pelo pecado, Maria Santíssima não foi atingida pelo pecado
original pela desobediência de Adão e Eva. Por isso, Maria é escolhida por Deus
para ser a mãe de seu Filho, cujo nascimento estamos nos preparando para
celebrar proximamente no Natal.
Maria,
a Mãe do Redentor, é aquela que serve, a “Serva do Senhor!”. A grandeza de
Maria está sim, em ser “cheia de graça”, mas está também em sua humildade e no
amor doado, expresso com ternura e afeto, mostrando-nos que esses gestos “não
são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam maltratar os outros
para se sentir importantes” (Evangelii Gaudium, n. 288).
Vamos,
como peregrinos da esperança em jubileu de Esperança, buscar “Maria – a cheia
de graça!” – que nos inspira a acolher, com humildade e ternura, os irmãos e
irmãs de caminhada de fé. Renovemos, com Maria, o nosso Sim a Jesus, confiando
sempre na ação de Deus em nossa vida. Conforme a Palavra de Deus que ouvimos,
Maria resgata a imagem da humanidade infiel e colabora para que se concretize,
por meio de Jesus, a redenção universal!
Maria
Santíssima, a Imaculada Conceição, nos ajude a viver na graça, sem pecado
algum, que a Senhora é a portadora por excelência! Amém!
+
Anuar Battisti
Arcebispo
Emérito de Maringá, PR
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