Meus
irmãos e minhas irmãs, a paz de Cristo!
Hoje
eu quero bater um papo reto com vocês sobre um assunto que dá calafrios em
muita gente: o jejum. Quando o padre fala em jejum na homilia, tem gente que já
coloca a mão na barriga e faz cara feia. Mas eu garanto a vocês: o jejum não é
bicho de sete cabeças. O jejum é uma das ferramentas mais bonitas que Deus nos
deu para sermos livres e felizes.
Primeiro,
vamos tirar uma dúvida. Jejum não é regime. Jejum não é dieta para perder
aqueles quilinhos antes da Páscoa. Se você deixa de comer só para emagrecer,
você está cuidando da estética, não da alma. O jejum cristão tem uma motivação
diferente. Nós jejuamos para dizer ao nosso corpo: "Você é importante, meu
corpo, mas você não manda em mim. Quem manda aqui é o Espírito Santo!".
Pensem
comigo. Nós vivemos num mundo onde a gente quer tudo na hora. Deu vontade de
comer? Come. Deu vontade de beber? Bebe. Deu vontade de comprar? Compra. Nós
viramos escravos dos nossos desejos. O jejum quebra essa corrente. Quando eu
olho para um prato gostoso ou para um doce e digo "hoje não, por amor a
Jesus", eu ganho uma força interior gigante. Eu recupero o volante da
minha vida. Eu mostro que sou livre.
O
nosso Papa, Leão XIV, tem falado coisas maravilhosas sobre isso. Ele diz que
precisamos praticar o "jejum da alegria". Deus não quer ver ninguém
desmaiando de fome pelos cantos ou tratando mal os outros porque está com fome.
Isso não é santidade, é falta de educação! Se o jejum deixa você nervoso e faz
você brigar com a esposa ou com o marido, então coma! É melhor comer carne do
que "comer" a paciência do próximo.
O
jejum precisa ter um objetivo: a caridade. Prestem atenção nisso. O dinheiro
que você economizou deixando de comer a pizza, o churrasco ou o chocolate não
deve ficar no seu bolso. Esse dinheiro pertence aos pobres. O jejum que agrada
a Deus vira comida na mesa de quem tem fome. Se você jejua e guarda o dinheiro,
você é apenas um "pão-duro" religioso. Se você jejua e partilha, você
é um cristão de verdade.
Agora,
eu quero propor uns jejuns modernos para vocês. O Papa Leão XIV insiste nisso.
Claro, o jejum de comida na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa é
sagrado. Mas e nos outros quarenta dias?
Que
tal fazer um jejum de celular? Meus filhos, nós estamos viciados. A gente
acorda e já olha o "zap". A gente vai dormir olhando a vida dos
outros no Instagram. Experimente ficar duas horas por dia com o celular
desligado. Dê essa atenção para o seu filho, para o seu neto, para a sua
esposa. Esse jejum dói mais do que ficar sem almoçar, eu sei. Mas ele liberta a
mente.
Que
tal o jejum da língua? Ah, esse é difícil! Ficar quarenta dias sem falar mal de
ninguém. Sem fazer fofoca na porta da igreja ou no trabalho. Sem julgar a roupa
do vizinho. O Papa diz que a fofoca é uma bomba que destrói comunidades. Vamos
fechar a boca para o mal e abrir para o elogio e para a oração.
Que
tal o jejum do pessimismo? Tem gente que só reclama. Reclama da chuva, reclama
do sol, reclama do padre, reclama do governo, reclama da comida. Vamos fazer
jejum de reclamação? Vamos tentar agradecer mais?
Jesus
jejuou quarenta dias. Ele venceu a tentação para nos mostrar que nós também
podemos vencer. Você não é escravo do cigarro, nem da bebida, nem da comida,
nem da pornografia. Com oração e jejum, você vence qualquer vício. Acredite na
força que Deus colocou dentro de você no Batismo.
Então,
meu irmão e minha irmã, não tenham medo do jejum. Comecem devagar. Tirem o
doce, tirem o refrigerante, tirem o excesso. Mas coloquem muito amor no lugar.
O
estômago pode ficar vazio por algumas horas, mas o coração vai ficar cheio da
graça de Deus. E um coração cheio de Deus transborda amor para todo mundo.
Vamos
juntos nessa caminhada bonita da Quaresma. Coragem!
Deus
abençoe a sua vida e a sua penitência!
+
Anuar Battisti
Arcebispo
Emérito de Maringá, PR
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