A ressurreição supera o medo e nos
ensina a testemunhar Jesus, que vivo está no meio de nós e renova a nossa vida
e a história da humanidade!
Antigamente o Segundo Domingo da
Páscoa era conhecido como Domingo “in albis”. Foi o grande Papa São João Paulo
II que, no ano da redenção de 2000, consagrou o segundo domingo do tempo pascal
como o domingo da Divina Misericórdia. A liturgia deste domingo convida-nos a
contemplar a comunidade de homens novos que nasce da cruz e da ressurreição de
Jesus – a Igreja. Jesus ressuscitado, no próprio dia da ressurreição, confia à
sua comunidade a missão de dar testemunho no mundo do amor e da misericórdia de
Deus.
O Evangelho – Jo 20,19-31 –
apresenta a comunidade da Nova Aliança, nascida da atividade criadora e
vivificadora de Jesus. É uma comunidade que se reúne à volta de Jesus
ressuscitado, que recebe d’Ele Vida, que é animada pelo Seu Espírito e que dá
testemunho no mundo da Vida nova de Deus. Quem quiser “ver” e “tocar” Jesus
ressuscitado, deve procurá-l’O no meio dessa comunidade que d’Ele nasceu e que
d’Ele vive.
A primeira leitura – At 2,42-47 – é
uma “fotografia retocada” da primitiva comunidade cristã de Jerusalém. Lucas, o
autor dos Atos dos Apóstolos, imprime nela os traços da comunidade ideal: é uma
comunidade unida e fraterna, onde os bens são partilhados e onde cada um está
atento às necessidades dos outros irmãos; é, também, uma comunidade empenhada
em escutar a Boa Notícia de Jesus, em reunir-se para a “fração do pão” e para a
oração comunitária. O estilo de vida desta “família” é contagiante e faz com
que muitos outros homens e mulheres sintam vontade de integrar a Igreja de
Jesus. A comunidade nascente estava fundamentada no ensinamento dos apóstolos:
na solidariedade e partilha para com os necessitados e nas ações litúrgicas. É
um bom exemplo para nossas comunidades cristãs, pois, vivendo assim, elas podem
despertar a simpatia do povo e atrair novos participantes.
Na segunda leitura – 1Pd 1,3-9 –
lembra a todos os batizados em Cristo a sua condição de homens novos,
felizes beneficiários da misericórdia de Deus. Cristo, o vencedor da morte,
salvou-os e abriu-lhes as portas da vida definitiva. Certos da vida nova que os
espera, os cristãos devem encarar a sua caminhada pela terra com uma “esperança
viva”, com uma “alegria inefável e gloriosa”, com um otimismo contagiante. A ressurreição
de Jesus nos fez renascer para uma esperança viva. A fé nos sustenta diante das
provações do tempo presente para brilharmos com Cristo em sua glória. O amor
torna-nos capazes de olhar para além das aparências.
A ressurreição de Jesus nos faz
renascer para uma vida de fraternidade, de esperança, de perdão e de paz.
+ Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá, PR
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