Irmãos e irmãs, à luz dos
acontecimentos recentes da vida da Igreja, somos convidados a voltar o nosso
olhar e o nosso coração para um forte apelo feito pelo amado Papa
Leão XIV: a convocação de uma Vigília de Oração pela paz, a ser
realizada no dia 11 de abril, na Basílica de São Pedro, em Roma, aberta a todos
os fiéis do mundo inteiro.
Não se trata de um simples evento
devocional, mas de um gesto profundamente eclesial e profético. O Romano
Pontífice, ao dirigir esse convite à Igreja inteira, recorda que a oração é a
primeira e mais eficaz resposta diante das guerras, dos conflitos e das
divisões que marcam o nosso tempo. Em meio a tantas tensões internacionais, ele
nos chama a redescobrir a força espiritual da súplica comum, elevando a Deus um
clamor que nasce do coração humano ferido pela violência.
Na sua mensagem, o Santo Padre foi
claro ao afirmar que a paz que Cristo oferece “não se limita a silenciar as
armas, mas toca e transforma o coração de cada um de nós”. Aqui está um ponto essencial: a paz
cristã não é apenas ausência de guerra, mas fruto de uma conversão interior. É
a paz que nasce do Evangelho, da reconciliação com Deus e com os irmãos.
Esse ensinamento encontra sólido fundamento
na Sagrada Escritura. O próprio Senhor Ressuscitado, ao aparecer aos
discípulos, lhes diz: “A paz esteja convosco” (Jo 20,19). Essa paz não é
externa, mas interior; não é imposta, mas oferecida. Do mesmo modo, São Paulo
nos recorda que Cristo “é a nossa paz” (Ef 2,14), pois derrubou os muros
da divisão e reconciliou a humanidade com Deus.
Ao convocar essa Vigília, o Papa também
faz um apelo concreto à responsabilidade humana. Ele afirma que somente o
retorno ao diálogo poderá conduzir ao fim dos conflitos e exorta a comunidade
internacional a acompanhar os esforços diplomáticos com a oração. Assim, oração e ação não se opõem, mas
se complementam: a oração sustenta e ilumina os caminhos da paz.
Esse chamado ecoa diretamente o
ensinamento bíblico: “Procurai a paz e segui-a” (Sl 34,15). A paz não
acontece por acaso, ela deve ser buscada, construída, desejada. E mais ainda,
deve ser pedida a Deus, pois é dom antes de ser conquista humana.
O contexto pascal em que essa vigília é convocada dá ainda mais profundidade
ao seu significado. Após celebrar a Ressurreição, o Papa recorda que a vitória
de Cristo é a vitória da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio. A paz verdadeira nasce exatamente
dessa vitória pascal. Cristo não venceu pela violência, mas pelo amor que se
entrega até o fim.
Por isso, o Santo Padre faz um apelo forte e direto: que aqueles
que têm armas as depõem, que aqueles que têm poder escolham o caminho do
diálogo. Trata-se de um chamado à
conversão não apenas pessoal, mas também social e política. A paz exige
decisões concretas, escolhas corajosas e renúncias verdadeiras.
Mas o Papa também alerta para um perigo silencioso: a indiferença.
Ele denuncia aquilo que já foi chamado de “globalização da indiferença”, ou
seja, a incapacidade de se comover diante do sofrimento do outro. Nesse sentido, a vigília de oração é
também um antídoto contra essa insensibilidade, pois nos coloca diante de Deus
e nos abre ao clamor da humanidade.
Diante disso, a participação dos fiéis, mesmo à distância,
torna-se essencial. A Igreja, desde suas origens, sempre compreendeu a força da
oração comum. Como nos recorda o livro dos Atos dos Apóstolos: “Todos
perseveravam unanimemente na oração” (At 1,14). É essa unidade espiritual
que sustenta a missão da Igreja e a torna sinal de esperança no mundo.
A Vigília de Oração pela paz, portanto, não é apenas um momento
localizado em Roma, mas um convite universal. Cada comunidade, cada família,
cada fiel é chamado a unir-se espiritualmente a esse clamor. Onde houver um
coração que reza pela paz, ali a Igreja estará viva e atuante.
Como seria interessante, neste sábado, dia 11 de abril, marcássemos
um horário para a reza do Terço em família ou em grupo de amigos, unidos ao
amado Papa Leão XIV para rezarmos pela paz no mundo e pelo fim das guerras!
Sejamos construtores da paz!
Em um mundo marcado por guerras, divisões e inseguranças, esse
gesto do Papa nos recorda algo essencial: a paz começa no coração humano, é dom
de Deus e tarefa de todos. Como ensina Jesus: “Bem-aventurados os que
promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9).
Que essa vigília reacenda em toda a Igreja o desejo sincero de
paz, fortaleça a nossa fé e nos comprometa concretamente com a construção de um
mundo reconciliado. E que, unidos em oração, possamos fazer ecoar, com verdade,
esse clamor que o Sumo Pontífice nos propõe: que brote do coração humano um
autêntico grito de paz.
+Anuar Batistti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)
Crédito da imagem: @Vatican
Media
Leão
XIV na Vigília de Oração pela Paz, 11 de abril de 2026.
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