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Dom Anuar Batisti
Formado em filosofia no Paraná e em teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, Dom Anuar Battisti é Arcebispo Emérito de Maringá (PR). Em 15 de abril de 1998, por escolha do papa João Paulo II, foi nomeado bispo diocesano de Toledo, sendo empossado no mesmo dia da ordenação episcopal, em 20 de junho daquele ano. Em 2009 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, um dos mais importantes, concedidos pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Em 2007, foi presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Sagrada, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2015, foi membro do Conselho Administrativo da Pastoral da Criança Internacional e, ainda na CNBB, foi delegado suplente. No Conselho Episcopal Latino-Americano atuou como Presidente do Departamento das Vocações e Ministérios, até 2019.

Rezemos pelos bispos no Brasil!

 

         Irmãos e irmãs, com alegria e senso de responsabilidade, volto meu olhar para um momento importante da vida da Igreja no Brasil: a realização da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que acontecerá entre os dias 15 e 24 de abril de 2026, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Trata-se de um tempo privilegiado de graça, no qual nós, bispos, sucessores dos apóstolos, nos reunimos para rezar, discernir e refletir sobre os caminhos da evangelização em nossa realidade tão desafiadora.

         Este encontro ganha um significado ainda mais profundo quando recordamos o contexto recente em que ele se insere. A Assembleia, inicialmente prevista para o ano anterior, precisou ser adiada em razão do falecimento do Papa Francisco. Esse fato marcou a vida da Igreja e nos convida ainda mais a viver este momento com espírito de comunhão, responsabilidade e abertura à ação do Espírito Santo, que conduz a Igreja em todos os tempos.

         Ao nos reunirmos em Aparecida, colocamo-nos sob o olhar materno de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil. Não se trata apenas de um local simbólico, mas de um verdadeiro espaço espiritual, onde a Igreja aprende a escutar, a confiar e a renovar sua missão. Como Maria nas bodas de Caná, também nós somos chamados a escutar a voz de Cristo e a orientar o povo de Deus: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

         O tema central desta assembleia será a aprovação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Este documento é de grande importância, pois orienta a vida pastoral de nossas dioceses, ajudando-nos a responder, com fidelidade ao Evangelho, aos desafios concretos do nosso tempo. Não se trata de um texto meramente organizacional, mas de um verdadeiro instrumento de discernimento e missão, que nasce da escuta do povo de Deus, das pastorais, dos organismos e também das inspirações do caminho sinodal que a Igreja tem vivido.

         Ao longo desses dez dias, seremos chamados não apenas a discutir temas, mas a viver uma profunda experiência de comunhão. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, marcado por tantas realidades diferentes, a assembleia se torna um espaço único de encontro entre os bispos, onde partilhamos alegrias, desafios e preocupações pastorais. Essa comunhão recorda a experiência da Igreja nascente, descrita nos Atos dos Apóstolos: “Eles eram perseverantes no ensinamento dos apóstolos, na comunhão, na fração do pão e nas orações” (At 2,42).

         Além do tema central, outros assuntos importantes serão tratados, sempre com o olhar voltado à missão da Igreja e ao bem do povo de Deus. A Igreja não vive isolada, mas inserida na sociedade, e por isso também se debruça sobre questões que tocam a vida do nosso povo, procurando oferecer uma contribuição iluminada pelos valores do Evangelho.

         É importante recordar que a Assembleia Geral da CNBB não é um momento fechado em si mesmo. Ainda que seja um encontro dos bispos, seus frutos alcançam toda a Igreja no Brasil. As decisões, orientações e reflexões ali realizadas repercutem na vida das dioceses, paróquias e comunidades, ajudando a orientar a ação evangelizadora em todo o país.

         Por isso, convido todos os fiéis a se unirem a nós neste momento por meio da oração. A Igreja sempre encontrou na oração a sua força e sua unidade. Como nos diz a Palavra de Deus, “todos perseveravam unanimemente na oração” (At 1,14). Também hoje precisamos dessa comunhão espiritual, para que o Espírito Santo nos ilumine e nos conduza em nossas decisões.

         Vivemos um tempo exigente, marcado por desafios culturais, sociais e religiosos. Diante disso, a Igreja é chamada a renovar continuamente sua missão, permanecendo fiel a Cristo e atenta às necessidades do povo. A assembleia é, portanto, um tempo de escuta do Espírito, que fala à Igreja e a conduz pelos caminhos da história.

         Peço, portanto, que cada fiel acompanhe este momento com fé e esperança. Que possamos, juntos, sustentar este encontro com nossas orações, para que produza frutos abundantes de evangelização, comunhão e renovação. E, confiantes na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, entreguemos a Deus todos os trabalhos desta Assembleia, certos de que Ele continua a guiar a sua Igreja.

         Que o Senhor nos conduza e nos fortaleça, e que tudo o que for discernido e vivido neste tempo seja, de fato, para o bem da Igreja e de todo o povo de Deus. Amém.

+Anuar Batistti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

 

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