Irmãos e irmãs, com alegria e senso de
responsabilidade, volto meu olhar para um momento importante da vida da Igreja
no Brasil: a realização da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil, que acontecerá entre os dias 15 e 24 de abril de 2026, no
Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Trata-se de um tempo
privilegiado de graça, no qual nós, bispos, sucessores dos apóstolos, nos
reunimos para rezar, discernir e refletir sobre os caminhos da evangelização em
nossa realidade tão desafiadora.
Este encontro ganha um significado
ainda mais profundo quando recordamos o contexto recente em que ele se insere.
A Assembleia, inicialmente prevista para o ano anterior, precisou ser adiada em
razão do falecimento do Papa Francisco. Esse fato marcou a vida da Igreja e nos
convida ainda mais a viver este momento com espírito de comunhão,
responsabilidade e abertura à ação do Espírito Santo, que conduz a Igreja em
todos os tempos.
Ao nos reunirmos em Aparecida,
colocamo-nos sob o olhar materno de Nossa Senhora da Conceição Aparecida,
Padroeira do Brasil. Não se trata apenas de um local simbólico, mas de um
verdadeiro espaço espiritual, onde a Igreja aprende a escutar, a confiar e a
renovar sua missão. Como Maria nas bodas de Caná, também nós somos chamados a
escutar a voz de Cristo e a orientar o povo de Deus: “Fazei tudo o que Ele
vos disser” (Jo 2,5).
O tema central desta assembleia será a
aprovação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
Este documento é de grande importância, pois orienta a vida pastoral de nossas
dioceses, ajudando-nos a responder, com fidelidade ao Evangelho, aos desafios
concretos do nosso tempo. Não se trata de um texto meramente organizacional,
mas de um verdadeiro instrumento de discernimento e missão, que nasce da escuta
do povo de Deus, das pastorais, dos organismos e também das inspirações do
caminho sinodal que a Igreja tem vivido.
Ao longo desses dez dias, seremos
chamados não apenas a discutir temas, mas a viver uma profunda experiência de
comunhão. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, marcado por
tantas realidades diferentes, a assembleia se torna um espaço único de encontro
entre os bispos, onde partilhamos alegrias, desafios e preocupações pastorais.
Essa comunhão recorda a experiência da Igreja nascente, descrita nos Atos dos
Apóstolos: “Eles eram perseverantes no ensinamento dos apóstolos, na
comunhão, na fração do pão e nas orações” (At 2,42).
Além do tema central, outros assuntos
importantes serão tratados, sempre com o olhar voltado à missão da Igreja e ao
bem do povo de Deus. A Igreja não vive isolada, mas inserida na sociedade, e
por isso também se debruça sobre questões que tocam a vida do nosso povo,
procurando oferecer uma contribuição iluminada pelos valores do Evangelho.
É importante recordar que a Assembleia
Geral da CNBB não é um momento fechado em si mesmo. Ainda que seja um encontro
dos bispos, seus frutos alcançam toda a Igreja no Brasil. As decisões,
orientações e reflexões ali realizadas repercutem na vida das dioceses,
paróquias e comunidades, ajudando a orientar a ação evangelizadora em todo o
país.
Por isso, convido todos os fiéis a se
unirem a nós neste momento por meio da oração. A Igreja sempre encontrou na
oração a sua força e sua unidade. Como nos diz a Palavra de Deus, “todos
perseveravam unanimemente na oração” (At 1,14). Também hoje precisamos
dessa comunhão espiritual, para que o Espírito Santo nos ilumine e nos conduza
em nossas decisões.
Vivemos um tempo exigente, marcado por
desafios culturais, sociais e religiosos. Diante disso, a Igreja é chamada a
renovar continuamente sua missão, permanecendo fiel a Cristo e atenta às
necessidades do povo. A assembleia é, portanto, um tempo de escuta do Espírito,
que fala à Igreja e a conduz pelos caminhos da história.
Peço, portanto, que cada fiel acompanhe
este momento com fé e esperança. Que possamos, juntos, sustentar este encontro
com nossas orações, para que produza frutos abundantes de evangelização,
comunhão e renovação. E, confiantes na intercessão de Nossa Senhora Aparecida,
entreguemos a Deus todos os trabalhos desta Assembleia, certos de que Ele
continua a guiar a sua Igreja.
Que o Senhor nos conduza e nos
fortaleça, e que tudo o que for discernido e vivido neste tempo seja, de fato,
para o bem da Igreja e de todo o povo de Deus. Amém.
+Anuar Batistti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

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