A liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum apresenta-nos o convite que Deus nos faz para nos sentarmos à mesa que Ele próprio preparou, e onde nos oferece gratuitamente o alimento que sacia a nossa fome de vida, de felicidade, de eternidade.
Na primeira leitura – Is 55,1-3 –, Deus convida o seu Povo a
deixar a terra da escravidão e a dirigir-se ao encontro da terra da liberdade –
a Jerusalém nova da justiça, do amor e da paz. Aí, Deus saciará definitivamente
a fome do seu Povo e oferecer-lhe-á gratuitamente a vida em abundância, a
felicidade sem fim. Aos exilados, famintos e sedentos e dirigida a exortação do
profeta para retomarem ao Senhor, que propõe partilha e solidariedade. É um
convite a participar do banquete da mesa farta, do qual ninguém deveria ficar
excluído.
O Evangelho – Mt 14,13-21 – apresenta-nos Jesus, o novo Moisés, cuja missão é realizar a libertação do seu Povo. No contexto de uma refeição, Jesus mostra aos seus discípulos que é preciso acolher o pão que Deus oferece e reparti-lo com todos os homens. É dessa forma que os membros da comunidade do Reino fugirão da escravidão do egoísmo e alcançarão a liberdade do amor. Jesus sente a morte de João Batista, por isso se recolhe a um lugar afastado. Ao chegar, é surpreendido por uma multidão doente e faminta e se compadece. Enquanto os discípulos propõem despedi-la, o Mestre propõe partilhar o pouco que cada um trouxe.
As pessoas, famintas e doentes, procuram a Jesus para ouvi-lo e obter dele a cura. Ao entardecer, os discípulos, agindo de modo prático, sugerem: “Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida” (Mt 14,15). Jesus, sempre compassivo, pensa de outra forma: “Dai-lhes vós mesmos de comer!” (Mt 14,16). A lição: a lógica do individualismo e da autorreferencialidade não é a de Jesus e não deveria ser a do cristão.
Embora ainda tímidos, os discípulos entreveem saída no sinal
simbólico dos cinco pães e dois peixes. A partir daí, o milagre acontece. O
pouco que cada um tem, quando partilhado e abençoado por Deus, é suficiente
para transformar a realidade para melhor.
O gesto da partilha que Jesus realiza – “pegou os cinco pães
e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Partiu os
pães e os deu aos discípulos, que os distribuíram às multidões” (Mt 16,19) –
lembra os mesmos sinais realizados por ele na última ceia. Lição: é o
compromisso de ser fraternos que nos habilita a participar da Santa Eucaristia.
Tal participação seria incoerente se fosse acompanhada pela indiferença às
necessidades do próximo.
Todos ficaram saciados e ainda sobrou. Os discípulos aprenderam que, para seguir Jesus, é necessário decidir-se em favor da vida, sendo sinais visíveis de misericórdia daquele que veio para que todos tenham vida e a tenham em plenitude (Jo 10,10);
A segunda leitura – Rm 8,35.37-39 – é um hino ao amor de Deus pelos homens. É esse amor – do qual nenhum poder hostil nos pode afastar – que explica porque é que Deus enviou ao mundo o seu próprio Filho, a fim de nos convidar para o banquete da vida eterna. Nada pode nos separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo. Na vida ou na morte, o amor de Deus sempre nos acompanhará. Todo universo é recordado como prova do poder do amor de Cristo.
A multiplicação dos pães não é apenas um evento miraculoso,
mas sinal de que Jesus sacia fome física e fome de sentido, conduzindo o povo à
verdadeira plenitude.
Ao participar da Santa Missa revigora em nós a solidariedade com as pessoas necessitadas, consequência do amor de Deus que está em nós. A liturgia nos indica o caminho de Jesus: permanecer a serviço da vida e da comunhão. Neste primeiro domingo do mês vocacional, unimo-nos em oração por todos os ministros ordenados: diáconos, padres e bispos. Que nós possamos ser ministros da reconciliação e da partilha da Palavra e do Pão da Vida!
+ Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá, PR

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