C omo preparar o coração para o encontro que não escolhemos a hora Existe uma pergunta que atravessa a vida de toda pessoa adulta, mesmo que ela raramente seja formulada em voz alta. É a pergunta sobre o que realmente sustenta a nossa existência quando tudo o mais falha. Diante da doença, da perda, do fracasso, do silêncio de Deus em momentos difíceis, o que resta? A liturgia de hoje, na memória de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja, nos convida a olhar de frente para essa pergunta, através de dois textos que, à primeira vista, parecem falar de coisas diferentes, mas que na verdade se completam com profunda sabedoria. São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 1, versículos 17 a 25, é direto e até incômodo. Ele diz que a pregação da cruz é uma insensatez para os que se perdem, mas para os que se salvam é poder de Deus. O apóstolo não está fazendo um discurso filosófico elegante. Está ...