No dia 4 de agosto a Igreja celebra o Dia do Padre, em memória de São João Maria Vianney, o santo Cura de Ars. É uma data simples no calendário, mas carrega um peso enorme para quem vive a fé de perto. Porque um padre não é apenas alguém que celebra a missa ou administra os sacramentos. É alguém que entrega a vida, muitas vezes em silêncio, para que outros encontrem Deus.
Gosto de pensar nesse dia como uma pausa para agradecer. Agradecer por homens que deixaram família, projetos pessoais e, muitas vezes, o conforto de uma vida mais previsível, para dizer sim a um chamado que nem sempre é fácil de explicar. No Evangelho de Mateus – 4,19 – Jesus diz a Pedro e André: "Vinde após mim, e eu farei de vós pescadores de homens." Essa é a raiz de toda vocação sacerdotal: um convite que se recebe antes de se entender completamente, e que se vive aprendendo a cada dia.
O que os papas nos ensinaram sobre o sacerdócio? Ao longo da história, os sucessores de Pedro sempre falaram do padre com uma ternura especial, porque conhecem de dentro o peso e a beleza dessa missão.
São João Maria Vianney, patrono dos padres, dizia com simplicidade desarmante: "O sacerdote é o amor do Coração de Jesus." E também: "O padre não é padre para si mesmo. Ele não se absolve, nem se administra sacramentos a si próprio. Ele não existe para si e sim para os outros." Essas palavras, ditas por um padre humilde de uma pequena vila francesa no século XIX, atravessaram os séculos porque tocam o essencial: o sacerdócio é serviço, não privilégio.
O Papa Francisco, por sua vez, pediu à Igreja "pastores com cheiro de ovelhas", homens que não ficam nos gabinetes, mas caminham com o povo, sujam os pés nas estradas da vida real e servem com amor concreto. Disse, em uma ocasião marcante para o clero, que se nota quando um povo é ungido com o óleo da alegria: "por isso, faltando este óleo, a nossa vida sacerdotal perde alegria." É uma imagem forte, que resume bem o estilo pastoral que ele sempre defendeu: proximidade, escuta, encarnação na vida das pessoas.
Já São João Paulo II, que viveu intensamente sua identidade sacerdotal até os últimos dias, costumava recordar que o padre é chamado a ser, antes de tudo, homem de oração e de comunhão, um sinal vivo de Cristo Bom Pastor no meio do povo. E o magno Papa Benedito XVI, com sua sensibilidade teológica refinada, insistia que a identidade do padre só se compreende plenamente diante do altar, na intimidade com Cristo, fonte de onde nasce toda fecundidade pastoral.
Três papas, três estilos, uma mesma convicção: o padre existe para amar e servir, e essa entrega só faz sentido enraizada em Cristo.
Apascentar como quem ama: No Evangelho de João – 21,15-17 – Jesus repete três vezes a Pedro a mesma pergunta: "Tu me amas?" E, diante de cada resposta afirmativa, confia a ele a mesma missão: "Apascenta as minhas ovelhas." Não pede primeiro competência, nem currículo, nem garantias de sucesso. Pede amor. É esse amor que sustenta um padre nas noites de cansaço, nas dúvidas da fé alheia, nas alegrias silenciosas de uma confissão que devolve paz a alguém.
Quem trabalha, como eu, próximo de instituições de saúde e de caridade, sabe bem o valor de um padre que aparece no momento certo. Uma unção dos doentes feita com delicadeza. Uma palavra de conforto junto a uma família que perde um ente querido. Uma escuta paciente que não julga, apenas acolhe. Isso não aparece em estatística alguma, mas transforma vidas de verdade.
Um convite para hoje: Neste Dia do Padre, quero deixar um convite simples e concreto. Se você tem um padre por quem é grato, diga isso a ele. Uma mensagem, uma oração, um gesto de reconhecimento. Muitos padres carregam pesos que raramente compartilham, e uma palavra de carinho pode ser exatamente o combustível que faltava naquele dia.
Meu pensamento se eleva em oração a Deus pelos padres doentes, marginalizados e privados de seu ministério sacerdotal. Deus os conforte nas suas dificuldades para que possam vencer as dificuldades vividas.
E se você sente, no fundo do coração, um chamado semelhante ao que Pedro e André ouviram na beira do lago, não tenha medo de escutá-lo com atenção. A Igreja precisa de homens dispostos a repetir, com a própria vida, o sim que São João Maria Vianney disse há dois séculos.
Que cada padre, em qualquer canto do Brasil ou do mundo, sinta hoje que seu trabalho, muitas vezes invisível, tem valor eterno. E que todos nós, leigos e pastores, sigamos juntos naquele caminho que resume tão bem nossa fé: Caminhai no Senhor!
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