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Dom Anuar Batisti
Formado em filosofia no Paraná e em teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, Dom Anuar Battisti é Arcebispo Emérito de Maringá (PR). Em 15 de abril de 1998, por escolha do papa João Paulo II, foi nomeado bispo diocesano de Toledo, sendo empossado no mesmo dia da ordenação episcopal, em 20 de junho daquele ano. Em 2009 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, um dos mais importantes, concedidos pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Em 2007, foi presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Sagrada, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2015, foi membro do Conselho Administrativo da Pastoral da Criança Internacional e, ainda na CNBB, foi delegado suplente. No Conselho Episcopal Latino-Americano atuou como Presidente do Departamento das Vocações e Ministérios, até 2019.

Dom Pedro Fedalto: Uma vida que atravessa o século e continua a semear esperança


Caros irmãos e irmãs, queridos amigos e amigas,

Há datas que não passam apenas no calendário. Elas atravessam a história e revelam, com toda a sua força silenciosa, o modo como Deus tece a vida dos seus servos ao longo do tempo. Hoje, 11 de agosto de 2026, é uma dessas datas. Celebramos os cem anos de vida de Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto, arcebispo emérito de Curitiba, filho de imigrantes italianos, nascido na Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo, e que dedicou mais de meio século ao serviço episcopal desta Igreja que está no Paraná.

Um centenário convida ao silêncio antes da palavra. Convida à contemplação antes da celebração. Porque cem anos de vida não são apenas cem anos de existência: são cem anos de fidelidade posta à prova, de escolhas renovadas todos os dias, de um coração que continuou dizendo sim mesmo quando o caminho exigia mais do que consolo.

A Escritura nos oferece uma imagem preciosa para compreender uma vida como esta. No Salmo 91,16, o Senhor promete: "com longos dias eu o saciarei e lhe mostrarei a minha salvação." Não é a longevidade em si que Deus celebra, mas a fidelidade que sustenta essa longevidade. Dom Pedro é testemunha viva dessa promessa. Ordenado presbítero em 1953, bispo auxiliar em 1966, arcebispo de Curitiba em 1971, ele conduziu esta Arquidiocese por mais de trinta anos, criando paróquias, ordenando sacerdotes, formando gerações e recebendo, em 1980, a visita histórica do Papa João Paulo II. Encontrou pessoalmente quatro Sucessores de Pedro. Cada um desses episódios não é apenas uma linha de biografia. É a marca de um pastor que entendeu, desde jovem, o chamado de Jesus a Pedro em João 21,15-17: "Apascenta as minhas ovelhas." Um chamado que não se cumpre em um dia de entusiasmo, mas em décadas de entrega paciente.

O apóstolo Paulo, já perto do fim de sua vida, escreveu a Timóteo palavras que bem poderiam ser ditas por Dom Pedro hoje: "Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé" (2 Tm 4,7). Não há nessas palavras vaidade, mas gratidão. E é exatamente esse sentimento que nos une neste dia: gratidão a Deus pela vida de um homem que soube, com simplicidade e trabalho constante, servir à Igreja sem jamais se servir dela.

Falo também, neste momento, como membro do Conselho de Administração da Santa Casa de Curitiba, instituição centenária que, como Dom Pedro, nasceu do desejo de servir a vida e a dignidade humana, especialmente daqueles que mais precisam de cuidado e acolhimento. A Santa Casa reconhece em Dom Pedro Fedalto um irmão de caminhada e de missão. Ambos, a seu modo, atravessaram o século cuidando de pessoas: ele, das almas confiadas ao seu ministério episcopal; ela, dos corpos feridos que buscam saúde e esperança nos seus corredores. Não é por acaso que a fé e a saúde caminham juntas na tradição cristã. Jesus curou corpos e anunciou o Reino ao mesmo tempo, porque sabia que o ser humano é um só, corpo e espírito, carne e alma.

Por isso, em nome da Santa Casa de Curitiba e de todos os que ali trabalham, cuidam e são cuidados, quero registrar aqui uma palavra de profundo agradecimento e de sincera congratulação a Dom Pedro Fedalto. Agradecemos por tudo o que representou e representa para a Igreja no Paraná. Agradecemos pela paciência de quem formou sacerdotes, pela coragem de quem enfrentou os desafios pastorais de seu tempo, e pela ternura de quem, mesmo depois de deixar o governo episcopal, continuou sendo referência espiritual para tantos.

E, pessoalmente, como irmão no episcopado e como quem teve o privilégio de conviver com sua história e seu testemunho, deixo aqui meus parabéns mais fraternos. Que Deus, autor da vida e fiel às suas promessas, continue derramando sobre Dom Pedro a bênção anunciada no Salmo: longos dias e a certeza da salvação já pressentida.

Um centenário não é ponto final. É antes um convite para que todos nós, mais jovens em anos ou em vocação, aprendamos com essa trajetória o valor da perseverança, da humildade no serviço e da confiança inabalável na Providência. Que a vida de Dom Pedro Fedalto continue inspirando sacerdotes, leigos, profissionais da saúde e todos os que, à sua maneira, tentam apascentar o rebanho que lhes foi confiado, seja na Igreja, seja em uma enfermaria, seja em qualquer lugar onde o amor precise se fazer serviço concreto.

Feliz centenário, Dom Pedro. Que o Senhor continue a sua obra em você e através de você.

Caminhai no Senhor.

+Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

 

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