Caros irmãos e irmãs, queridos amigos e amigas,
Há datas que não passam apenas no
calendário. Elas atravessam a história e revelam, com toda a sua força
silenciosa, o modo como Deus tece a vida dos seus servos ao longo do tempo.
Hoje, 11 de agosto de 2026, é uma dessas datas. Celebramos os cem anos de vida
de Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto, arcebispo emérito de Curitiba, filho de
imigrantes italianos, nascido na Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo, e
que dedicou mais de meio século ao serviço episcopal desta Igreja que está no
Paraná.
Um centenário convida ao silêncio antes
da palavra. Convida à contemplação antes da celebração. Porque cem anos de vida
não são apenas cem anos de existência: são cem anos de fidelidade posta à
prova, de escolhas renovadas todos os dias, de um coração que continuou dizendo
sim mesmo quando o caminho exigia mais do que consolo.
A Escritura nos oferece uma imagem
preciosa para compreender uma vida como esta. No Salmo 91,16, o Senhor promete:
"com longos dias eu o saciarei e lhe mostrarei a minha salvação." Não
é a longevidade em si que Deus celebra, mas a fidelidade que sustenta essa
longevidade. Dom Pedro é testemunha viva dessa promessa. Ordenado presbítero em
1953, bispo auxiliar em 1966, arcebispo de Curitiba em 1971, ele conduziu esta
Arquidiocese por mais de trinta anos, criando paróquias, ordenando sacerdotes,
formando gerações e recebendo, em 1980, a visita histórica do Papa João Paulo
II. Encontrou pessoalmente quatro Sucessores de Pedro. Cada um desses episódios
não é apenas uma linha de biografia. É a marca de um pastor que entendeu, desde
jovem, o chamado de Jesus a Pedro em João 21,15-17: "Apascenta as minhas
ovelhas." Um chamado que não se cumpre em um dia de entusiasmo, mas em
décadas de entrega paciente.
O apóstolo Paulo, já perto do fim de sua
vida, escreveu a Timóteo palavras que bem poderiam ser ditas por Dom Pedro
hoje: "Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé" (2 Tm
4,7). Não há nessas palavras vaidade, mas gratidão. E é exatamente esse
sentimento que nos une neste dia: gratidão a Deus pela vida de um homem que
soube, com simplicidade e trabalho constante, servir à Igreja sem jamais se
servir dela.
Falo também, neste momento, como membro
do Conselho de Administração da Santa Casa de Curitiba, instituição centenária
que, como Dom Pedro, nasceu do desejo de servir a vida e a dignidade humana,
especialmente daqueles que mais precisam de cuidado e acolhimento. A Santa Casa
reconhece em Dom Pedro Fedalto um irmão de caminhada e de missão. Ambos, a seu
modo, atravessaram o século cuidando de pessoas: ele, das almas confiadas ao
seu ministério episcopal; ela, dos corpos feridos que buscam saúde e esperança
nos seus corredores. Não é por acaso que a fé e a saúde caminham juntas na
tradição cristã. Jesus curou corpos e anunciou o Reino ao mesmo tempo, porque
sabia que o ser humano é um só, corpo e espírito, carne e alma.
Por isso, em nome da Santa Casa de
Curitiba e de todos os que ali trabalham, cuidam e são cuidados, quero
registrar aqui uma palavra de profundo agradecimento e de sincera congratulação
a Dom Pedro Fedalto. Agradecemos por tudo o que representou e representa para a
Igreja no Paraná. Agradecemos pela paciência de quem formou sacerdotes, pela
coragem de quem enfrentou os desafios pastorais de seu tempo, e pela ternura de
quem, mesmo depois de deixar o governo episcopal, continuou sendo referência
espiritual para tantos.
E, pessoalmente, como irmão no
episcopado e como quem teve o privilégio de conviver com sua história e seu
testemunho, deixo aqui meus parabéns mais fraternos. Que Deus, autor da vida e
fiel às suas promessas, continue derramando sobre Dom Pedro a bênção anunciada
no Salmo: longos dias e a certeza da salvação já pressentida.
Um centenário não é ponto final. É antes
um convite para que todos nós, mais jovens em anos ou em vocação, aprendamos
com essa trajetória o valor da perseverança, da humildade no serviço e da
confiança inabalável na Providência. Que a vida de Dom Pedro Fedalto continue
inspirando sacerdotes, leigos, profissionais da saúde e todos os que, à sua
maneira, tentam apascentar o rebanho que lhes foi confiado, seja na Igreja,
seja em uma enfermaria, seja em qualquer lugar onde o amor precise se fazer
serviço concreto.
Feliz centenário, Dom Pedro. Que o
Senhor continue a sua obra em você e através de você.
Caminhai no Senhor.
+Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de
Maringá (PR)

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