Quando a fidelidade à consciência custa caro, mas nunca é inútil Há um medo que todos conhecemos bem. É o medo de falar aquilo que precisa ser dito, sabendo que essa fala terá um preço. É o medo de contrariar quem detém poder sobre nossa vida, nosso emprego, nossa tranquilidade. Muitos de nós já sentimos esse aperto no peito na hora de corrigir um filho, de discordar de um chefe, de dizer não a algo que sabíamos errado, mesmo quando todos ao redor pareciam concordar. A liturgia de hoje nos coloca diante desse medo, e nos mostra, através de duas figuras profundamente humanas, Jeremias e João Batista, o que significa permanecer fiéis quando a verdade incomoda. A primeira leitura – Jr 1,17-19 – traz uma cena de vocação. Deus chama Jeremias e lhe dá uma ordem clara: "Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer". Mas logo em seguida vem a advertência que revela a dureza da missão: "não tenhas medo, senão, eu te farei tremer na presença...