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Mostrando postagens de dezembro, 2025

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Dom Anuar Batisti
Formado em filosofia no Paraná e em teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, Dom Anuar Battisti é Arcebispo Emérito de Maringá (PR). Em 15 de abril de 1998, por escolha do papa João Paulo II, foi nomeado bispo diocesano de Toledo, sendo empossado no mesmo dia da ordenação episcopal, em 20 de junho daquele ano. Em 2009 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, um dos mais importantes, concedidos pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Em 2007, foi presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Sagrada, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2015, foi membro do Conselho Administrativo da Pastoral da Criança Internacional e, ainda na CNBB, foi delegado suplente. No Conselho Episcopal Latino-Americano atuou como Presidente do Departamento das Vocações e Ministérios, até 2019.

A Porta que se fecha e o Coração que permanece aberto

Meus queridos irmãos e irmãs, Chegamos a um momento de profunda emoção neste domingo, 28 de dezembro. Enquanto as luzes do Natal ainda brilham em nossas casas e presépios, voltamos os nossos olhos para Roma, para a Basílica de São Paulo Fora dos Muros, onde hoje se fecha a última das Portas Santas “menores” deste Jubileu da Esperança. O ano de 2025 ficará marcado para sempre na nossa carne e na nossa memória. Foi um ano em que a esperança deixou de ser apenas uma palavra bonita em cartazes para se tornar uma necessidade vital. Quando, em abril, o mundo chorou a partida do nosso amado Papa Francisco, parecia que o “Jubileu da Esperança” tinha perdido o seu principal peregrino. O luto cobriu a Praça de São Pedro, e muitos perguntaram: “E agora?”. Mas a resposta veio com a força suave do Espírito Santo. O mês de maio trouxe-nos a “fumaça branca” e o dom de um novo pastor universal, o Papa Leão XIV. A Igreja mostrou ao mundo que não é feita apenas de homens, mas é sustentada pela promessa ...

Homilia – Festa da Sagrada Família Jesus, Maria e José

  Irmãos e irmãs, Celebrar a Festa da Sagrada Família é contemplar o mistério de Deus que quis entrar na história humana não de modo abstrato, mas dentro de uma família concreta, marcada por trabalho, obediência, sofrimento, silêncio e fé. Jesus não nasce já adulto para anunciar o Reino; Ele cresce em Nazaré, sob o cuidado de Maria e José, aprendendo a viver como filho, como membro de uma família. A primeira leitura, do livro do Eclesiástico (3,3-7.14-17a), apresenta um ensinamento simples e ao mesmo tempo exigente: a relação entre pais e filhos é lugar de bênção, de justiça e de fidelidade a Deus. Honrar pai e mãe não é apenas uma norma moral, mas uma atitude que gera vida longa, reconciliação e perdão dos pecados. Em uma cultura que frequentemente relativiza os vínculos familiares, a Palavra de Deus recorda que a família continua sendo espaço privilegiado da ação divina. O Salmo 127 (128) proclama a felicidade daquele que teme o Senhor e anda em seus caminhos. A imagem da m...

Santos Inocentes: O grito que ainda ecoa em nosso tempo

  Ainda estamos envoltos pela luz do Natal, contemplando a doçura do Menino Jesus na manjedoura, quando a Liturgia da Igreja, de forma abrupta e corajosa, veste-se de vermelho. No dia 28 de dezembro, celebramos os Santos Inocentes Mártires. É um contraste chocante: três dias após celebrarmos o nascimento da Vida, recordamos a morte violenta imposta às crianças de Belém e arredores pelo rei Herodes. O Evangelho de Mateus nos conta que Herodes, cego pelo medo de perder seu poder terreno para o recém-nascido "Rei dos Judeus", ordenou a execução de todos os meninos com menos de dois anos. O choro de Raquel, chorando seus filhos que já não existem, atravessou a história e chega aos nossos ouvidos ainda hoje. Celebrar os Santos Inocentes não é apenas olhar para o passado com tristeza; é olhar para o presente com responsabilidade. Quem são os "santos inocentes" de hoje? Onde estão os novos "Herodes"? Infelizmente, a matança dos inocentes continua, muitas ...

São João Evangelista

Meus queridos irmãos e irmãs, amada família de Deus, Estamos imersos na oitava do Natal. O eco do choro do Menino Deus em Belém ainda ressoa em nossos ouvidos e, liturgicamente, a Igreja nos convida hoje a olhar não apenas para a manjedoura, mas para o testemunho daquele que, ao longo de toda a sua vida, compreendeu profundamente o mistério que ali se iniciou: São João, o Evangelista, o Discípulo Amado. Como comunicador e pastor, sinto-me profundamente tocado pela Primeira Leitura que ouvimos hoje, extraída da Primeira Carta de São João (1Jo 1,1-4). Percebam a urgência e a concretude das palavras do Apóstolo. Ele não começa sua carta com uma teoria abstrata ou um conceito filosófico distante. Ele começa com a experiência dos sentidos. Ele diz: “O que era desde o princípio, o que nós ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram da Palavra da Vida.” Meus irmãos, a nossa fé católica é uma fé de contato! Deus não enviou um e-mail, Deus...

Festa de Santo Estêvão, o primeiro mártir

Amados irmãos e irmãs, Celebramos hoje a festa de Santo Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, no coração luminoso da Oitava do Natal. Ainda ressoam em nossos lábios os cânticos que proclamam a alegria do nascimento do Salvador, e a liturgia, com realismo evangélico, coloca diante de nós o testemunho daquele que selou com o próprio sangue a fé em Jesus Cristo. O Natal não é uma celebração ingênua ou sentimental: o Menino que nasce em Belém é o Senhor da vida, mas também o sinal de contradição, Aquele que será rejeitado por muitos. Por isso, ao lado do presépio, a Igreja coloca hoje a figura de Estêvão, para nos recordar até onde pode chegar a fidelidade ao Evangelho. A primeira leitura – At 6,8-10.7,54-59 –, dos Atos dos Apóstolos, apresenta Estêvão como um homem “cheio de fé e do Espírito Santo” (At 6,5). Ele não é um apóstolo do primeiro grupo, mas um diácono, escolhido para o serviço da caridade. Aqui já encontramos uma mensagem fundamental: o martírio nasce de uma vida...

Oitava de Natal: A alegria que não cabe em um só dia

  Muitas vezes, a sociedade ao nosso redor nos dá a impressão de que o Natal termina assim que os presentes são abertos ou quando a ceia chega ao fim na noite de 24 de dezembro. Vemos as luzes sendo apagadas e o comércio já anunciando as liquidações. No entanto, para nós, cristãos católicos, a celebração do Mistério da Encarnação é tão grandiosa, tão profunda e tão transformadora que a Igreja, em sua sabedoria milenar, nos ensina que um único dia é insuficiente para celebrá-la. É por isso que vivemos a Oitava de Natal. Do dia 25 de dezembro até o dia 1º de janeiro — Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus — a Igreja vive um "longo dia" de festa. Liturgicamente, cada um desses oito dias é celebrado como se fosse o próprio dia de Natal. O tempo para, o relógio da fé desacelera, para que possamos contemplar o Menino Deus na manjedoura sob diferentes ângulos e perspectivas. Costumo dizer que a Oitava de Natal é como o eco de um sino gigante. A batida principal ocorreu no nas...

No Natal: A Palavra se fez carne e habitou entre nós!

            Novamente é Natal de Nosso Senhor. A liturgia deste dia é, toda ela, um hino ao amor de Deus.                   Canta a iniciativa desse Deus que, por amor, se vestiu da nossa humanidade e “estabeleceu a sua tenda entre nós”. Em Jesus, o menino nascido em Belém, Deus veio ter conosco e falou-nos, com palavras e gestos humanos, para nos oferecer a Vida plena e para nos elevar à dignidade de “filhos de Deus”.              Na primeira leitura – Is 52,7-10 –, Isaías anuncia a chegada do Deus libertador. Ele é o rei que traz a paz e a salvação, proporcionando ao seu Povo uma era de felicidade sem fim. O profeta convida, pois, a substituir a tristeza pela alegria, o desalento pela esperança. O profeta nos convida a vibrar de alegria quando vemos “pés que anunciam a paz”. Onde há paz, Deus reina. Não de armas nem de guerras, a humanidade tem s...

Homilia – Natal do Senhor, Missa do Dia

  Irmãos e irmãs, Depois de termos celebrado, na noite santa e na aurora, o mistério do nascimento do Senhor, a liturgia deste dia de Natal conduz-nos a uma contemplação mais profunda: não apenas o Menino que nasceu , mas quem Ele é . Hoje não nos detemos tanto no presépio, nos pastores ou nos anjos, mas no mistério eterno que se fez carne para nossa salvação. A primeira leitura, do profeta Isaías (Is 52,7-10), anuncia a alegria do mensageiro que proclama a paz, a salvação e o reinado do nosso Deus. É um texto marcado pela esperança após o sofrimento do exílio. Jerusalém, antes ferida e humilhada, agora é convidada a exultar, porque o Senhor consola o seu povo e revela o seu braço poderoso diante de todas as nações. O Natal é exatamente isso: Deus intervindo na história humana, não de modo abstrato ou distante, mas entrando nela, assumindo-a, redimindo-a. A salvação não é promessa vazia; é ação concreta de Deus em favor do seu povo. A segunda leitura, da Carta aos Hebreus (Hb...

Homilia – Natal do Senhor | Missa da Aurora

            Irmãos e irmãs, na aurora do Natal, quando a luz do novo dia começa a despontar, a liturgia convida-nos a contemplar o mistério do Natal a partir da perspectiva da luz que vence as trevas. Se, na Missa da Noite, fomos conduzidos à gruta de Belém para adorar o Menino recém-nascido, nesta Missa da Aurora somos chamados a perceber que esse nascimento já começa a transformar a história, iluminando o caminho da humanidade. Na primeira leitura, do livro do profeta Isaías (Is 62,11-12), ressoa um anúncio cheio de esperança: “Eis que vem o teu Salvador” . O profeta proclama que Deus não abandona o seu povo, mas vem ao seu encontro para resgatá-lo e restaurá-lo. Jerusalém, antes marcada pela desolação, passa a ser chamada de “Cidade Procurada, Cidade não abandonada” . Essa profecia cumpre-se plenamente no Natal: em Jesus, Deus visita a humanidade e devolve-lhe a dignidade perdida. A aurora do Natal é, portanto, o sinal de que a história não está c...

Homilia – Solenidade do Natal do Senhor Hoje nasceu para nós o Salvador!

  Irmãos e irmãs, Celebramos nesta noite santa o mistério central da nossa fé: o Verbo se fez carne e habitou entre nós. A liturgia da Noite de Natal coloca-nos diante de um acontecimento que transforma a história da humanidade e ilumina definitivamente a vida de todos os povos: o nascimento de Jesus Cristo, o Filho eterno de Deus, que entra no tempo para nos salvar. Na primeira leitura, retirada do livro do profeta Isaías (Is 9,1-6), ouvimos o anúncio de uma grande luz que resplandece sobre um povo que caminhava nas trevas. Trata-se de uma profecia proclamada num contexto de sofrimento, opressão e incerteza. O profeta anuncia que um menino nos foi dado, um filho nos foi concedido, e que sobre seus ombros repousa o sinal da realeza. Ele recebe títulos que só podem ser atribuídos a Deus: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz. A promessa de Isaías encontra nesta noite o seu pleno cumprimento: o Menino de Belém é a luz que dissipa as trevas do ...

Missa Vigília de Natal

  Irmãos e irmãs, reunidos nesta Vigília de Natal, a liturgia nos coloca à porta do grande mistério que iremos celebrar: o Deus eterno entra na história humana. Antes de contemplarmos o Menino na manjedoura, a Igreja nos convida a reler o caminho da promessa, da espera e da fidelidade de Deus ao seu povo. O Natal não acontece de forma repentina; ele é o desfecho de uma longa história de amor, de alianças e de esperança. Na primeira leitura, do livro do profeta Isaías (Is 62,1-5), ouvimos um anúncio carregado de ternura e esperança. Jerusalém, ferida pelo exílio e pela humilhação, recebe a promessa de uma restauração plena. Deus afirma que não ficará em silêncio enquanto a justiça não resplandecer como aurora. O profeta utiliza imagens nupciais para expressar essa nova relação: o povo deixa de ser chamado “Abandonado” e passa a ser chamado “Meu prazer está nela” . Deus não desiste do seu povo; Ele o ama com um amor fiel, que transforma a vergonha em alegria e a desolação em esp...

4º Domingo do Advento

            Chegamos ao quarto domingo do Advento, às portas do Natal. Já não estamos apenas no tempo da espera: estamos no limiar do acontecimento decisivo da história. A liturgia de hoje concentra o nosso olhar não no Menino da manjedoura, mas no mistério silencioso que antecede o Natal, no drama humano e espiritual que Deus escolhe para realizar a sua promessa. A primeira leitura, do profeta Isaías, apresenta-nos um sinal desconcertante: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel” (Is 7,14). O contexto é de medo, instabilidade política e insegurança. O rei Acaz não confia, não quer pedir sinal algum. Mesmo assim, Deus dá o sinal. Isso é importante: Deus age mesmo quando o homem hesita, mesmo quando a fé é frágil. O sinal não é força militar, nem triunfo político, mas uma criança. O Emanuel — Deus conosco — entra na história não impondo-se, mas oferecendo-se. O Salmo 23(24) responde com uma pergunta decisiva...

A Novena de Natal: Caminho de Espera, Fé e Renovação do Coração

  A Novena de Natal ocupa um lugar especial na piedade cristã, pois prepara o coração dos fiéis para acolher, com maior profundidade, o mistério do Verbo que se fez carne e veio habitar entre nós. Mais do que uma tradição, ela é um caminho espiritual que introduz o cristão na atmosfera do Advento, fazendo-o, dia após dia, aproximar-se do presépio com a vigilância, a sobriedade e a esperança próprias deste tempo. Sua origem remonta às práticas devocionais que antecediam a solenidade do Natal em várias regiões da Igreja, nas quais o povo, sentindo a necessidade de rezar mais intensamente diante da grande festa da Encarnação, reunia-se em torno da Palavra, da oração e da caridade fraterna. Ainda hoje, nas famílias, nas comunidades e nos diversos grupos e pastorais, a Novena continua sendo uma oportunidade privilegiada para colocar Cristo no centro da espera natalina. A espiritualidade da Novena de Natal está profundamente ligada à pedagogia de Deus que prepara Seu povo para acolher ...

Alegrai-vos pela chegada iminente do Senhor!

Continuamos, nesta terceira etapa do “caminho do advento”, a preparar a vinda do Senhor. Chamado “domingo Gaudete”, este terceiro domingo do advento convida-nos à alegria: a vinda do Senhor aproxima-se; a nossa libertação está cada vez mais perto. Na primeira leitura um profeta anónimo anuncia aos habitantes de Judá, exilados na Babilônia, que estão a acabar os anos de tristeza e que vão finalmente chegar os tempos novos da alegria e da esperança. Porquê? Porque Deus “aí está para fazer justiça”. Ele vai intervir na história, vai salvar Judá do cativeiro, vai abrir uma estrada no deserto para que o seu Povo, em procissão triunfal, possa regressar a Sião. Deus nunca desiste dos seus queridos filhos. No Evangelho, o próprio Jesus define a missão que o Pai lhe confiou quando o enviou ao encontro dos homens: dar vista aos cegos e tirá-los da escuridão onde se afundam, libertar os coxos de tudo aquilo que os impede de caminhar, curar os leprosos e reintegrá-los na famíli...

3º Domingo do Advento – Ano A

  Irmãos e irmãs, chegamos ao Terceiro Domingo do Advento, tradicionalmente chamado de Domingo da Alegria, o Gaudete, porque a liturgia nos convida a exultar no Senhor que está perto. Estamos no tempo da espera, mas uma espera cheia de esperança. O Natal se aproxima, e a Igreja, como mãe vigilante, acende hoje a vela rosa para recordar que, mesmo em meio à penitência do Advento, já desponta a alegria daquele que vem. A primeira leitura, tirada do profeta Isaías (Is 35,1-6a.10), apresenta um cenário de transformação profunda: o deserto floresce, os lugares áridos se cobrem de verde, a terra estéril se torna jardim. Isaías anuncia que, quando Deus visitar o seu povo, tudo o que era seco, cansado e sem vida será renovado. “Fortalecei as mãos enfraquecidas, firmai os joelhos debilitados.” É um chamado direto a nós, que tantas vezes carregamos fadigas, medos e incertezas. A vinda do Senhor não é um evento decorativo, mas revolucionário: “os olhos dos cegos se abrirão, os ouvidos do...

O Evangelho não pode parar: A nossa oferta vira missão

  Quando olhamos para o presépio que começa a ser montado em nossas casas e igrejas, vemos a simplicidade de um Deus que se fez pequeno. Mas não nos enganemos: aquela criança na manjedoura veio trazer uma revolução. A revolução do amor, da esperança e da salvação. E essa Boa Nova, meus irmãos, precisa correr o mundo. Ela não pode ficar parada, estagnada dentro de quatro paredes. Ela precisa de pernas, de voz e, sim, precisa de nossas mãos estendidas através da partilha material. Neste terceiro domingo do Advento, somos convocados pela CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – para a Coleta da Evangelização. Diferente de outras campanhas, esta toca no nervo central da nossa identidade católica: o “ide” de Jesus. Se a Igreja não evangeliza, ela perde a sua razão de ser. Mas como fazer a Palavra chegar aos rincões deste nosso imenso Brasil sem recursos? Como manter o barco do missionário na Amazônia, a capela na periferia urbana ou a formação dos nossos leigos sem o combu...

Homilia Imaculada Conceição

Neste dia 8 de dezembro, celebramos com alegria a Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, mistério luminoso no qual contemplamos o início da realização plena do plano de Deus para a salvação. A primeira leitura, tirada de Gênesis 3,9-15.20, apresenta a cena dramática do início da queda: o homem e a mulher se escondem porque romperam com Deus. O Senhor pergunta: “Onde estás?” (Gn 3,9), e essa pergunta ecoa na humanidade ferida até hoje. No entanto, junto ao juízo, Deus anuncia a primeira promessa de salvação : “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela; ela te ferirá a cabeça” (Gn 3,15). A tradição cristã reconheceu nesse versículo — o Protoevangelho — o primeiro anúncio do Redentor e o prenúncio da Mulher que, por graça singular, estaria totalmente livre do domínio do pecado: Maria, a Imaculada. Ela é a Mulher cuja descendência esmagará a cabeça da serpente. O Salmo 97(98) entoa com força esse gesto de Deus: “Cantai ao Senhor ...