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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

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Dom Anuar Batisti
Formado em filosofia no Paraná e em teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, Dom Anuar Battisti é Arcebispo Emérito de Maringá (PR). Em 15 de abril de 1998, por escolha do papa João Paulo II, foi nomeado bispo diocesano de Toledo, sendo empossado no mesmo dia da ordenação episcopal, em 20 de junho daquele ano. Em 2009 recebeu o título de Doutor Honoris Causa, um dos mais importantes, concedidos pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Em 2007, foi presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Sagrada, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2015, foi membro do Conselho Administrativo da Pastoral da Criança Internacional e, ainda na CNBB, foi delegado suplente. No Conselho Episcopal Latino-Americano atuou como Presidente do Departamento das Vocações e Ministérios, até 2019.

No deserto espiritual busquemos a conversão e o encontro com o Cristo!

Irmãos e irmãs, depois de iniciar a Quaresma com o sinal austero das cinzas, a Igreja nos conduz imediatamente ao deserto. O Evangelho afirma: “Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4,1). Não é o acaso que leva Jesus ao deserto; é o próprio Espírito. Isso significa que a Quaresma não é um tempo de fuga da vida, mas um caminho espiritual necessário para purificar o coração. O deserto, na Bíblia, é lugar de prova e também de encontro com Deus. Foi no deserto que Israel aprendeu a confiar no Senhor. Agora, Jesus revive essa experiência, mas de modo perfeito. Onde o antigo povo caiu, Cristo permanece fiel. A primeira leitura – Gn 2,7-9; 3,1-7 – mostra justamente o drama da humanidade: Adão e Eva escutam a voz da serpente e desconfiam de Deus. A tentação começa com uma distorção da verdade: “É verdade que Deus vos proibiu comer de toda árvore do jardim?” (Gn 3,1). O mal sempre começa assim, sem negar Deus diretamente, mas insinuando que Ele limi...

Vencer as tentações do consumo, do espetáculo e do poder! Sejamos humildes!

  Queridos irmãos e irmãs, Iniciamos hoje o santo tempo da Quaresma, e a liturgia nos conduz imediatamente ao essencial: o combate espiritual. A Igreja não começa a Quaresma falando de práticas exteriores, mas apresentando-nos Jesus no deserto, enfrentando as tentações (cf. Mt 4,1-11). Antes de qualquer penitência nossa, vemos o próprio Cristo entrar em combate por nós. Após o Batismo no Jordão, Jesus é conduzido pelo Espírito ao deserto. Isso é muito significativo: não é o diabo que toma a iniciativa, mas o Espírito Santo que conduz o Filho ao lugar da prova. O deserto, na Bíblia, é lugar de silêncio, de pobreza, de verdade. Ali caem as máscaras. Ali o homem encontra quem realmente é diante de Deus. A Quaresma é exatamente isso: um deserto espiritual no qual somos chamados a abandonar ilusões e reencontrar o essencial. O Evangelho – Mt 4,1-11 – apresenta três tentações, que não são apenas episódios da vida de Jesus, mas representam as tentações permanentes da humanidade. A...

Não vamos ceder às tentações do demônio!

  No início do caminho quaresmal, a liturgia convida-nos a repensar as nossas certezas, as nossas opções e os nossos valores. Tempo de conversão e de renovação, a Quaresma é o momento favorável para nos reaproximarmos de Deus. É em Deus – e não noutras propostas, por mais encantadoras que sejam – que está a fonte da vida verdadeira. Na primeira leitura (Gn 2,7-9; 3,1-7), a catequese de Israel esboça, em grandes linhas, o projeto de Deus para o mundo e para o ser humano. Deus criou-nos para a felicidade e mostrou-nos como viver para alcançar a vida verdadeira. Contudo, enquanto seres livres, temos de fazer a nossa opção fundamental. Se decidirmos abraçar as indicações de Deus, conheceremos uma felicidade sem limites e uma plena realização; mas, se optarmos por dar ouvidos à tentação do egoísmo, da autossuficiência, da prepotência e da ganância, viveremos rodeados de coisas efémeras e vazias, que nunca saciarão plenamente a nossa sede de felicidade. Deus modelou o ser humano a part...

Quaresma: O Tempo de Voltar a Ser Feliz

  Meus queridos irmãos e irmãs, a paz de Cristo! Hoje eu quero conversar com você olho no olho. Quando você ouve a palavra "Quaresma", o que vem na sua cabeça? Muita gente pensa logo em coisa ruim. Pensa em fome, em proibição, em cara feia, em deixar de comer chocolate. Mas eu digo para você com toda a certeza: a Quaresma não serve para nos deixar tristes. A Quaresma serve para nos deixar livres! Vamos pensar juntos. Imaginem um atleta que quer ganhar a medalha de ouro. O que ele faz? Ele treina. Ele sua a camisa. Ele deixa de comer besteira. Ele dorme na hora certa. Ele faz sacrifício. Mas ele faz isso triste? Não! Ele faz isso com garra porque ele olha para o prêmio lá na frente. A Quaresma funciona como a "academia" da alma. Nós entramos nesse tempo de treino espiritual de quarenta dias. O nosso prêmio vale muito mais que uma medalha de ouro. O nosso prêmio é a Páscoa, a Ressurreição, a Vida Eterna com Jesus. O nosso Papa, Leão XIV, falou uma coisa bonita e...

A Família e a Fé Acima das Trincheiras: O Amor como Resposta

  Amados irmãos e irmãs, a nossa fé nos garante que Deus é a própria essência do amor. Para que pudéssemos compreender a grandeza desse sentimento na prática, o Criador nos presenteou com a família. Não é à toa que o mundo inteiro reconhece a doação de uma mãe e de um pai por seus filhos como a maior e mais profunda expressão de afeto conhecida pela humanidade. O sacrifício diário dos pais por suas crianças não nasce de um mero contrato social, mas espelha diretamente o coração de Deus, revelando que a família é o projeto divino para acolher e nutrir a vida. É verdade que as eras mudam e, com elas, a sociedade passa por transformações profundas. É natural que o avanço acelerado dos nossos tempos desperte questionamentos sobre os modelos de convivência e sobre a própria formação dos lares. A Igreja compreende essas inquietações modernas com um olhar afetuoso de mãe, atenta aos dilemas das novas gerações. Contudo, mesmo diante de tantas mudanças, há uma realidade estrutural que o...

Penitência não é Castigo, é Remédio que Cura!

Meus irmãos e irmãs, a paz de Cristo! Hoje eu quero conversar com vocês sobre uma palavra que muita gente torce o nariz quando ouve: Penitência. Parece coisa antiga, coisa de gente triste que gosta de sofrer, não é? Mas vamos mudar essa ideia hoje. A penitência não serve para torturar a gente. A penitência serve para curar, libertar e deixar a gente mais forte. Imaginem uma pessoa que precisa fazer fisioterapia depois de quebrar a perna. Os exercícios doem. O esforço cansa. A pessoa sua e às vezes até chora. Mas ela faz aquilo porque quer voltar a andar, quer voltar a correr. A penitência é a fisioterapia da alma. O pecado quebra as nossas pernas espirituais e nos deixa paralisados no egoísmo. A penitência é o exercício que dói um pouquinho, mas devolve o movimento e a alegria de caminhar com Jesus. O nosso Papa, Leão XIV, falou uma frase que eu guardei no coração. Ele disse: "Não tenham medo das lágrimas do arrependimento, pois elas lavam os olhos para vermos a Deus". ...

A Esmola que Dói no Bolso e Cura o Coração

Meus irmãos e minhas irmãs, a paz de Cristo! Hoje eu quero conversar com vocês sobre um assunto que mexe com todo mundo, porque mexe no bolso: a esmola. A gente fala de jejum e todo mundo aceita. A gente fala de oração e todo mundo acha bonito. Mas quando a gente fala de dar dinheiro, de partilhar bens, aí a conversa fica difícil, não é verdade? O apegou aos bens materiais é uma raiz muito forte dentro de nós. Mas a Quaresma não estaria completa sem a esmola. O Evangelho fala de três coisas: oração, jejum e esmola. Não dá para escolher só duas. É um pacote completo. Se você reza muito e jejua muito, mas fecha a mão para o irmão que precisa, a sua religião está manca. Eu gosto muito do que o nosso Papa, Leão XIV, disse outro dia. Ele falou assim: "A esmola não é dar o que sobra. A esmola é dar o que faz falta". Pensem nisso. Às vezes a gente faz aquela faxina no guarda-roupa e tira só a roupa velha, furada, manchada que não serve mais, e dá para o pobre. Isso é bom? É. M...

O Estômago Vazio e o Coração Cheio: Vamos Conversar sobre o Jejum?

Meus irmãos e minhas irmãs, a paz de Cristo! Hoje eu quero bater um papo reto com vocês sobre um assunto que dá calafrios em muita gente: o jejum. Quando o padre fala em jejum na homilia, tem gente que já coloca a mão na barriga e faz cara feia. Mas eu garanto a vocês: o jejum não é bicho de sete cabeças. O jejum é uma das ferramentas mais bonitas que Deus nos deu para sermos livres e felizes. Primeiro, vamos tirar uma dúvida. Jejum não é regime. Jejum não é dieta para perder aqueles quilinhos antes da Páscoa. Se você deixa de comer só para emagrecer, você está cuidando da estética, não da alma. O jejum cristão tem uma motivação diferente. Nós jejuamos para dizer ao nosso corpo: "Você é importante, meu corpo, mas você não manda em mim. Quem manda aqui é o Espírito Santo!". Pensem comigo. Nós vivemos num mundo onde a gente quer tudo na hora. Deu vontade de comer? Come. Deu vontade de beber? Bebe. Deu vontade de comprar? Compra. Nós viramos escravos dos nossos desejos. O ...

Quaresma: tempo de oração, jejum, esmola, conversão, mudança de vida!

  Iniciamos mais uma Quaresma que a Divina Providência nos dá a graça de vivenciar. Iniciando a caminhada rumo à Páscoa, neste tempo quaresmal, procuremos trilhar o caminho da conversão proposto pelo Evangelho e pela Campanha da Fraternidade. Neste ano, a Campanha da Fraternidade chama a nossa atenção para o direito de todos à moradia, com o lema: “Ele veio morar entre nós!” (Jo 1,14). Na primeira leitura – Joel 2,12-18 – Joel é provavelmente um sacerdote-profeta que vive no Templo, depois do exílio. Fiel ao serviço da Casa de Deus, exorta o povo, que passa por uma grave carestia provocada por uma invasão de gafanhotos (1,2–2,10), à oração e à conversão. O próprio culto no templo tinha cessado (1,13.16). O profeta, que sabe ler os sinais dos tempos, anuncia a proximidade do «dia do Senhor» e convida o povo ao jejum, à súplica e à penitência (2,12.15-17). “Convertei-vos”, grita o profeta. O termo hebraico subjacente é shûb , que significa voltar atrás, regressar. O povo que vira...

Das Cinzas à Vida: Um Convite para Recomeçar!

  Meus queridos irmãos e irmãs, que a paz de Cristo esteja convosco! Hoje é um dia especial. As portas das nossas Igrejas se abrem para acolher multidões. É Quarta-feira de Cinzas! Talvez você se pergunte: por que tanta gente vai à igreja hoje, numa quarta-feira comum de trabalho? O que nos atrai? Eu respondo com o coração cheio de esperança: é a sede de Deus! É a vontade de recomeçar! Receber as cinzas não é um ato de tristeza, nem de pessimismo. Pelo contrário! Quando inclinamos a cabeça e o padre ou o ministro traça a cruz ou coloca aquele punhado de pó sobre nós, a Igreja está nos dizendo uma grande verdade: "Meu filho, minha filha, você é frágil, a vida passa rápido, não perca tempo com o que não vale a pena! Volte para Deus enquanto é tempo!". A Quaresma, meus amigos, é como uma "faxina" na alma. Imaginem a nossa casa. Com o tempo, a poeira entra, as coisas acumulam, cantos ficam sujos. A nossa vida espiritual é igual. Vamos acumulando mágoas, vícios, pr...

Homilia – Quarta-feira de Cinzas

  Irmãos e irmãs, iniciamos hoje o tempo santo da Quaresma, um caminho espiritual que nos conduz à Páscoa do Senhor. A Igreja coloca diante de nós um chamado claro à conversão. Ao recebermos as cinzas, escutamos palavras fortes: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15) ou ainda “Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás” (cf. Gn 3,19). Não são palavras de desânimo, mas de verdade. Recordam-nos que a vida é passageira e que somente Deus permanece para sempre. A primeira leitura apresenta o apelo do profeta Joel: “Voltai para mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e gemidos” (Jl 2,12). Deus não deseja gestos externos vazios. Por isso o profeta insiste: “Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes” (Jl 2,13). O Senhor não se contenta com práticas religiosas sem mudança interior. Ele quer o coração convertido, capaz de reconhecer o pecado e recomeçar. A razão dessa esperança está no próprio Deus, que é “bondoso e compassivo, lento para a cólera e rico em misericórdia” ...

Ter uma Casa é Direito de Gente, não é Luxo!

Meus irmãos e minhas irmãs, a paz de Cristo! Vocês já viram o cartaz da Campanha da Fraternidade deste ano? A imagem toca a gente lá no fundo. O tema é "Fraternidade e Moradia" e o lema diz: "Ele veio morar entre nós" (Cf. Jo 1,14). Eu quero conversar com você hoje sobre isso de um jeito bem simples e direto. Olhe para a sua casa agora. Olhe para as paredes, para o teto, para o chão. Você já agradeceu a Deus hoje por ter um lugar para dormir? A gente se acostuma com o conforto e esquece que a casa é um milagre diário. Mas basta dar uma volta no centro da nossa cidade ou na periferia para ver que esse milagre não chega para todo mundo. Tem gente dormindo no papelão. Tem família inteira morando num cômodo úmido que adoece as crianças. Tem gente que paga um aluguel tão caro que falta dinheiro para a comida. Isso não está certo. Isso ofende o coração de Deus. Jesus nasceu sem casa. Vocês lembram do Natal? Maria e José bateram de porta em porta e ninguém acolheu. O...

O Jejum da Língua e a Caridade da Escuta: Um Convite para 2026

  Amados irmãos e irmãs, Ao iniciarmos nossa caminhada quaresmal neste ano de 2026, somos interpelados por uma mensagem de profunda sensibilidade humana e espiritual enviada pelo Papa Leão XIV. Intitulada "Escutar e jejuar: Quaresma como tempo de conversão" , a carta do Santo Padre toca em feridas muito atuais de nossa convivência e nos oferece o remédio do Evangelho. Não se trata apenas de ritos ou privações, mas de uma verdadeira reeducação dos nossos sentidos para o amor. O Papa inicia sua reflexão com uma imagem bíblica poderosa: a sarça ardente. Ali, Deus revela Sua identidade a Moisés não como um ser distante, mas como Aquele que escuta: "Eu bem vi a opressão do meu povo... e ouvi o seu clamor" (Ex 3,7). Fico pensando em quantas vezes, em nossos atendimentos, nas visitas aos enfermos ou na gestão de nossas obras sociais, o que as pessoas mais pedem não é uma solução imediata, mas um ouvido atento. O Santo Padre nos recorda que "a disponibilidade pa...

No deserto espiritual busquemos a conversão e o encontro com o Cristo!

               Irmãos e irmãs, depois de iniciar a Quaresma com o sinal austero das cinzas, a Igreja nos conduz imediatamente ao deserto. O Evangelho afirma: “Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4,1). Não é o acaso que leva Jesus ao deserto; é o próprio Espírito. Isso significa que a Quaresma não é um tempo de fuga da vida, mas um caminho espiritual necessário para purificar o coração. O deserto, na Bíblia, é lugar de prova e também de encontro com Deus. Foi no deserto que Israel aprendeu a confiar no Senhor. Agora, Jesus revive essa experiência, mas de modo perfeito. Onde o antigo povo caiu, Cristo permanece fiel. A primeira leitura – Gn 2,7-9; 3,1-7 – mostra justamente o drama da humanidade: Adão e Eva escutam a voz da serpente e desconfiam de Deus. A tentação começa com uma distorção da verdade: “É verdade que Deus vos proibiu comer de toda árvore do jardim?” (Gn 3,1). O mal sempre começa ass...