Irmãos e irmãs, depois de iniciar a Quaresma com o sinal austero das cinzas, a Igreja nos conduz imediatamente ao deserto. O Evangelho afirma: “Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4,1). Não é o acaso que leva Jesus ao deserto; é o próprio Espírito. Isso significa que a Quaresma não é um tempo de fuga da vida, mas um caminho espiritual necessário para purificar o coração. O deserto, na Bíblia, é lugar de prova e também de encontro com Deus. Foi no deserto que Israel aprendeu a confiar no Senhor. Agora, Jesus revive essa experiência, mas de modo perfeito. Onde o antigo povo caiu, Cristo permanece fiel. A primeira leitura – Gn 2,7-9; 3,1-7 – mostra justamente o drama da humanidade: Adão e Eva escutam a voz da serpente e desconfiam de Deus. A tentação começa com uma distorção da verdade: “É verdade que Deus vos proibiu comer de toda árvore do jardim?” (Gn 3,1). O mal sempre começa assim, sem negar Deus diretamente, mas insinuando que Ele limi...